
22/06/2017
As mudanças climáticas vão aumentar a frequência das ondas de calor letais, mesmo que a humanidade consiga limitar o aquecimento global a 2ºC, conforme prevê o Acordo de Paris, disseram cientistas nesta segunda-feira (19).
Cumprir o compromisso assumido por 196 países até 2100 ainda deixaria quase a metade da população mundial exposta pelo menos uma vez por ano a períodos de calor e umidade que se mostraram fatais no passado, informaram os pesquisadores na revista científica "Nature Climate Change".
Já em um cenário de manutenção do status quo, em que os gases de efeito estufa continuam sendo lançados na atmosfera nos níveis atuais, três quartos da humanidade enfrentarão anualmente o que os pesquisadores chamam de eventos de calor letais.
"Descobrimos que as ondas de calor letais em todo o mundo estão se tornando mais comuns, e que essa tendência já parece inevitável", disse Camilo Mora, professor da Universidade do Havaí e autor principal do estudo.
"Mesmo que superemos os objetivos de Paris, a população exposta ao calor mortal será de cerca de 50% até 2100", disse à AFP.
Hoje em dia, 30% dos habitantes da Terra passam por períodos de calor extremo em algum momento do ano.
Desde o início do século 21, as ondas de calor deixaram milhares de mortos, mesmo em países melhor equipados para ajudar seus cidadãos a lidar com o clima extremo. Na Europa Ocidental, por exemplo, houve mais de 70 mil mortes durante o verão intenso de 2003.
No futuro, os trópicos serão mais atingidos, de acordo com o estudo, que prevê - ano a ano, para cada quilômetro quadrado da Terra - o número de "dias mortais" sob três diferentes cenários de poluição por carbono definidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
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