
13/07/2017
Após fazer mais um sobrevoo pela Região Metropolitana do Rio, o biólogo Mario Moscatelli desabafa: ´ A sensação é de frustração´. Mestre em ecologia com foco na área de gerenciamento e recuperação de ecossistemas costeiros, ele cruza, há exatos 20 anos, os céus do estado para denunciar a degradação de matas, encostas, mangues, rios, lagoas e baías. Com uma câmera fotográfica, registra, do alto, tudo o que encontra pela frente. O cenário, no entanto, é muitas vezes desolador. Nesta segunda-feira, em mais um sobrevoo (das centenas que já fez), viu gigogas tomarem o canal das Taxas, na Barra, lixões funcionando clandestinamente em Vargem Grande e Duque de Caxias e esgoto sendo jorrado em vários pontos da cidade, principalmente em rios. Apesar de comemorar duas décadas de voos com o projeto de Olho Verde, Moscatelli também está preocupado com sua sobrevivência. Segundo ele, a empresa responsável pelo financiamento do projeto já sinalizou que não deve renovar o contrato em agosto devido à crise financeira.
— É um projeto que algumas vezes é polêmico, porque põe o dedo na ferida, mas é fundamental. É a nossa última linha de defesa ambiental que inúmeras vezes serviu para alertar as autoridades a respeito de passivos ambientais que estavam acontecendo. É um sistema de alerta que tenta se antecipar aos problemas ambientais que a gente tem visto. Através do trabalho junto com a imprensa, a gente expõe situações que a maioria das pessoas nunca saberia que estivesse acontecendo — explica.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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