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O delicado equilíbrio do ecossistema marinho brasileiro

08/08/2017

É como a engrenagem de uma máquina, em que todas as peças estão conectadas. Só que, nesse caso, podemos imaginar que a máquina são os recifes de coral e todo o ecossistema em torno deles. É fácil entender como tudo acontece. Estima-se que até 70% de todo o carbono orgânico produzido em recifes de coral seja metabolizado por micro-organismos. Durante a fotossíntese, algas e corais liberam carbono na água, que é consumido por bactérias que o usam para seu próprio crescimento. A abundância de bactérias é, por sua vez, controlada pelos vírus que as infectam. Para se ter uma ideia, em cada mililitro de água coletada em recifes de coral, encontramos aproximadamente um milhão de bactérias e 10 milhões de vírus. Em artigo publicado no início de 2017 na FEMS Microbiology Reviews, pelo grupo do qual faz parte a bióloga Cynthia Silveira – contemplada no programa Bolsa Nota 10, da FAPERJ, e agora faz pós-doutorado na San Diego State University, nos Estados Unidos –, se descreve como a interação entre esses numerosos e diversos micro-organismos implica o declínio ou o sucesso desses ecossistemas marinhos.
Segundo a pesquisadora, se um desses elementos começa a funcionar em um ritmo diferente, seja por uma drástica redução da quantidade de peixes, seja pelo aumento da quantidade de carbono liberado pelos corais, todo o sistema é afetado. “Uma das principais causas de desequilíbrio pode ser a pesca exacerbada. Afinal, como os peixes se alimentam de algas e corais, controlam, desta forma, seu crescimento. Sem eles, as algas começam a crescer mais rápido, liberando mais carbono. E, assim, todo o equilíbrio é rompido”, explica a bióloga.
Outros fatores também contribuem para o declínio dos corais, como o aquecimento global, que altera a temperatura das águas e leva ao branqueamento e morte dos recifes. O trabalho, que contou com a colaboração de pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – financiados pela FAPERJ, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) –, assim como de cientistas estrangeiros da San Diego State University, da James Cook University e do Australian Institute of Marine Science, também coloca os recifes brasileiros no mapa internacional, como regiões que têm contribuições cruciais para esse campo da ecologia.
No caso de recifes brasileiros, como o do arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, características distintas vêm chamando atenção dos pesquisadores. Aqui, esse desequilíbrio é frequentemente acompanhado do crescimento de algas do tipo "turf", ou tufos, e do famoso coral baba-de-boi, que não produz as estruturas calcárias que formam os recifes. “Essas diferenças influenciam a comunidade bacteriana, uma vez que o baba-de-boi não estimula tanto o crescimento bacteriano quanto as algas. E os recifes de Abrolhos têm ainda as características únicas de receber grande influência de rios e de diferentes correntes oceânicas, o que cria uma dinâmica complexa nas águas que os banham. Tudo isso ainda é um desafio para o estudo dessa região”, afirma Cynthia.

A matéria pode ser lida no site da Faperj

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