
25/08/2017
“Desierto florido”. É desta forma que os chilenos apelidam um exuberante fenômeno natural que cobre de flores o mais seco deserto do planeta. Esta temporada, considerada a mais intensa das últimas duas décadas, foi provocada por chuvas intensas e inesperadas que atingiram o norte do país durante o inverno e transformaram o Atacama num tapete colorido.
Normalmente, o espetáculo da natureza acontece a cada cinco ou sete anos, mas a última florada aconteceu em 2015, tornado o fenômeno deste ano completamente inesperado. As sementes passam anos enterradas no solo seco do deserto, e germinam nas escassas temporadas de chuvas.
Segundo a Corporação Nacional de Florestas (Conaf), o “desierto florido” deve ter sido provocado pelo El Niño do ano passado, que alterou o regime de chuvas na região. Em maio, fortes chuvas atingiram o deserto, principalmente na província de Huasco. As cerca de 200 espécies diferentes de flores são endêmicas do Atacama e protegidas por lei.
Como o espetáculo atrai muitos turistas, a Conaf realiza ações de fiscalização constantes, para identificar problemas e conscientizar os visitantes sobre a impportância da proteção das espécies vegetais únicas e ecossistemas associados ao “desierto florido”.
— É espetacular, mas deve-se ter precaução: não pisar nas plantas, carregar o lixo — comentou o turista Filomeno Astudillo, ao portal da Conaf. — Acho muito bom que as autoridades estejam no campo para incentivar o cuidado e o turismo.
O cuidado com o espetáculo da natureza chegou à disputa presidencial do país. Em visita ao Atacama, o ex-presidente Sebastián Piñera, candidato pela frente “Chile Vamos”, visitou o Atacama e aproveitou para apreciar o “desierto florido”. Mas fotos circulam nas redes sociais mostrando que Piñera teria pisado nas flores, em vez de seguir os caminhos permitidos.
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