
05/09/2017
Análises de casos de malária registrados em regiões de Mata Atlântica do estado do Rio entre 2015 e 2016 confirmaram que uma espécie de parasita antes conhecida por só afetar macacos também pode provocar a doença em seres humanos, como adiantou O GLOBO em março. Segundo o estudo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e outras instituições brasileiras e estrangeiras, publicado nesta quinta-feira no periódico científico “The Lancet Global Health”, pelo menos 28 das 49 das infecções autóctones (locais) observadas foram causadas pelo Plasmodium simium.
Inicialmente, pensava-se que as infecções no estado do Rio tinham sido provocadas por outra espécie do parasita que sabe-se atingir humanos e é apontada como responsável pelos casos da doença na Amazônia, onde é endêmica, a Plasmodium vivax. De acordo com os pesquisadores, este é apenas o segundo relato no mundo da transmissão zoonótica – isto é, de animais para humanos – da malária. No Sudeste da Ásia, o Plasmodium knowlesi é transmitido por mosquitos do gênero Anopheles de macacos para humanos, respondendo por grande parte dos casos de malária na região.
- Estamos diante de uma descoberta de relevante impacto para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção - afirma o coordenador do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz (CPD-Mal), centro de referência para diagnóstico da malária na Extra-Amazônia. - No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento.
A maior prevalência dos casos de malária no país está na Amazônia, com mais de 99% de todo registro nacional. Mas a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do estado do Rio – região cujos casos de malária em humanos foram considerados erradicados há cerca de 50 anos – despertou a atenção dos especialistas. Enquanto de 2006 a 2014 o estado registrava uma média de quatro casos autóctones de malária por ano, em 2015 e 2016 os números subiram para 33 e 16, respectivamente.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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