
28/09/2017
Os cientistas ainda não compreendem os motivos e as consequências, mas precisam lidar com um fato: a camada de gelo na Antártica está diminuindo e neste ano bateram recorde mínimo desde que as medições por satélite começaram, em 1979. No dia 1º de março, no fim do verão, a cobertura atingiu o nível mínimo, com 2,075 milhões de quilômetros quadrados, e, em 12 de setembro, o nível máximo — também o menor já registrado —, com 18.013 milhões de quilômetros quadrados.
— Condições imprevisíveis do gelo no mar criaram todo o tipo de dor de cabeça para cientistas e operações de reabastecimento na Antártica, e existe uma necessidade clara de mapeamentos e métodos de previsão mais confiáveis — disse Jan Lieser, do grupo de pesquisas Antarctic Climate and Ecossystems, à agência chinesa Xinhua. — Parece que tanto a extensão da camada de gelo em torno da Antártica no mínimo durante o verão e no máximo no inverno bateram novos recordes mínimos.
Cientistas de todo o mundo estão reunidos em Hobart, na Austrália, para debater as condições climáticas na Antártica e as condições de navegação na região. Aparentemente, os novos recordes estão relacionados com as mudanças climáticas, mas, segundo Lieser, ainda é cedo para fazer tal afirmação, “simplesmente porque a variabilidade na cobertura de gelo na Antártica é muito alta”.
— Nós ainda temos muito trabalho a fazer para compreender os processos oceânicos e atmosféricos fundamentais que inflenciam a variabilidade da cobertura de gelo na Antártica — apontou o cientista.
Há apenas três anos, por exemplo, o nível máximo da cobertura durante o inverno superou os 20 milhões de quilômetros quadrados. E essa imprevisibilidade ameaça não apenas os cientistas que trabalham na região, mas também os turistas, atraídos em número cada vez maior. No ano passado, cerca de 50 cruzeiros levaram quase 35 mil turistas para vislumbarem os icebergs e a vida selvagem no continente gelado.
— Nós temos visto navios privados e comerciais ficando presos na cobertura de gelo nos últimos anos, que levaram a operações de resgate custosas que podem atrasar o trabalho científico — comentou Lieser.
Em 2013, um navio chinês com 74 cientistas, passageiros e tripulação ficou preso na Antártica. A operação de resgate levou duas semanas e envolveu equipes australianas, francesas, chinesas, americanas e alemãs, sendo que um quebra-gelo chinês acabou ficando preso também. Por causa do desvio de recursos para o resgate, o reabastecimento da missão australiana atrasou em duas semanas e uma campanha oceanográfica francesa foi cancelada.
Fonte: O Globo
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