
28/09/2017
Prefeitura de São Paulo irá propor alterações na norma da Lei de Uso e Ocupação do Solo para permitir o aumento da altura máxima de prédios em ruas mais tranquilas da cidade. A mudança, que deverá ser encaminhada à Câmara Municipal até o final deste ano, é vista como retrocesso por especialistas ouvidos pelo G1.
Segundo arquitetos e entidades, a alteração não poderá ser feita sem um amplo debate popular - o que não foi realizado até agora. Atualmente, o limite é de 28 metros em diversas regiões da cidade, o equivalente a oito andares, em vias no miolo dos bairros e fora dos eixos de transporte público.
“É um retrocesso completo e caminha na contramão de tudo aquilo que as boas práticas internacionais apontam como inovadoras para melhorar a qualidade de vida na cidade”, afirma Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.
Para a organização, a medida deixa claro a quem são direcionadas as políticas da atual administração municipal. “Visa simplesmente atender ao setor imobiliário. Vale mais o interesse do setor imobiliário do que o interesse da população”, defende Sampaio.
O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) já enviou à Prefeitura, desde março, cinco ofícios manifestando a preocupação da entidade em relação a tal proposta e cobrando da atual gestão justificativas para a alteração.
De acordo com Fernando Tulio, presidente do IAB de São Paulo, nenhum dos documentos foi respondido. A administração de Doria publicou apenas uma norma técnica considerada pela entidade "bastante precária".
"Analisamos a motivação da Prefeitura e para nós não existem elementos técnicos que justifiquem a revisão do zoneamento e do plano diretor", afirma.
"É um enorme retrocesso porque isso vai fazer com que os novos edifícios não sejam construídos perto do transporte público e, sim, no miolo dos bairros", complementa.
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