
06/03/2018
O Lego é um dos brinquedos mais populares em todo o mundo, mas as peças de montar consomem toneladas de plástico todos os anos, obtidas do petróleo. Com planos para um futuro sustentável, a empresa com sede em Billund, na Dinamarca, anunciou que ainda neste ano os elementos botânicos, como folhas, arbustos e árvores, serão produzidas com polietileno obtido da cana-de-açúcar, conhecido como “plástico verde”, produzido pela empresa brasileira Braskem.
Há três anos, a companhia estabeleceu um plano para tornar todos os produtos sustentáveis. Na ocasião, foi anunciada a criação de um grupo com cem funcionários e investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões para a pesquisa e implementação de materiais alternativos. Desde 1963 as peças de Lego são produzidas a partir do acrilonitrila butadieno estireno, conhecido pela sigla ABS, um material termoplástico obtido do petróleo rígido e leve, de uso comum na fabricação de produtos moldados.
As novas peças serão feitas de polietileno, um plástico flexível e durável que, apesar de ser obtido da cana-de-açúcar, é tecnicamente idêntico aos produzidos usando plástico convencional. Segundo a companhia, as peças foram testadas exaustivamente para garantir que o novo plástico atenda aos padrões de qualidade e segurança da marca.
— Os produtos Lego sempre ofereceram experiências de alta qualidade dando a cada criança a chance de moldar seu próprio mundo por meio de brincadeiras inventivas — disse Brooks. — As crianças e os pais não irão notar qualquer diferença na qualidade ou aparência dos novos elementos, porque o polietileno obtido de plantas tem as mesmas propriedades que o polietileno convencional.
A medida ainda é tímida, porém, já que o polietileno verde representará apenas entre 1% e 2% do total de plástico utilizado pela empresa, mas a expectativa é que o uso de materiais sustentáveis avance nos próximos anos. Em parceria com a ONG World Wildlife Fund (WWF), o Grupo Lego se propôs a reduzir as emissões de CO2 na fabricação dos produtos e na cadeia produtiva, num esforço para conter as mudanças climáticas.
Segundo Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, a utilização do polietileno verde produzido pela empresa brasileira na linha do Grupo Lego vai contribuir com este objetivo pelo fato de que cada tonelada do produto responde pela captura de mais 3 toneladas de CO2 atmosférico.
- A Lego é reconhecida internacionalmente por sua preocupação com a sustentabilidade e ficamos muito felizes de participar deste movimento - diz. - Passamos por um processo rigoroso da Lego em que ela verificou não só a sustentabilidade do produto como de toda cadeia que usamos para sua fabricação.
Fonte: O Globo
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