
20/03/2018
A água engarrafada é vendida aos consumidores como pura e saudável, mas isso pode não ser uma realidade. Um trabalho investigativo realizado pela Orb Media revelou a presença de micropartículas de plástico — com menos de 5 milímetros de diâmetro — em 93% das amostras analisadas em 259 garrafas de 11 marcas líderes compradas em nove países, incluindo o Brasil. Em uma delas a concentração por litro ultrapassou a marca de 10 mil partículas. O impacto desses materiais sobre a saúde humana ainda não foi pesquisado, mas após a divulgação dos resultados a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que irá avaliar os riscos da ingestão.
“Enquanto a OMS continua priorizando os riscos conhecidos da água para a saúde, estamos conscientes de que esta é uma área emergente de preocupação para consumidores e Estados membros”, afirmou o órgão das Nações Unidas, em comunicado. “Assim, a OMS, como parte de sua revisão contínua de novas evidência sobre a qualidade da água, irá analisar as escassas evidências disponíveis para identificar lacunas e estabelecer uma agenda de pesquisas para a avaliação de riscos”.
O estudo foi supervisionado por Sherri Mason, pesquisadora da Universidade Estadual de Nova York em Fredonia. Os resultados mostram que, em média, cada garrafa tinha concentração por litro de 10,4 micropartículas de plástico com diâmetro maior que 100 micrômetros, o equivalente à espessura de um fio de cabelo. Os testes também constataram a presença de 314,6 partículas por litro com dimensões entre 6,5 e 100 micrômetros.
Das 259 garrafas analisadas, apenas 17 estavam livres do microplástico. A concentração máxima foi de 10.390 partículas. Em alguns casos a concentração era tão grande que um astrofísico, acostumado a contar estrelas no universo, foi convocado para auxiliar nos cálculos. Os pesquisadores usaram uma técnica que consiste em adicionar uma tintura vermelha fluorescente que adere a superfícies plásticas, mas não a materiais que ocorrem naturalmente.
As partículas maiores de 100 micrômetros puderam ser identificadas usando uma técnica espectroscópica. Das cerca de 2 mil micropartículas analisadas, 54% eram fragmentos de polipropileno, plástico usado nas tampas das garrafas. Também foram encontrados pedaços de náilon (16%), poliestireno (11%), polietileno (10%), poliéster (6%) e outros plásticos (3%).
As marcas testadas foram: Aqua (Danone), Aquafina (PepsiCo), Bisleri (Bisleri International), Dasani (Coca-Cola), Epura (GEPP), Evian (Danone), Gerolsteiner (Gerolsteiner Brunnen), Minalba (Grupo Edson Queiroz), Nestlé Pure Life (Nestlé), San Pellegrino (Nestlé) e Wahaha (Hangzhou Wahaha Group). As amostras foram adquiridas em 19 cidades espalhadas por nove países: Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Líbano, México, Quênia e Tailândia.
Em comunicado, a Minalba Águas Minerais informa que “o processo de extração e envase da água da fonte mineral Água Santa, localizada em Campos do Jordão (SP), segue todos os padrões de qualidade e segurança exigidos pela legislação brasileira, refletindo, com rigor, a manutenção das propriedades minerais vindas da natureza”. Estar em conformidade com as legislações locais também foi a resposta de outras marcas analisadas.
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