
26/04/2018
Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma espécie de formiga que possui uma tática inusitada para defender a colônia. Em vez de usar soldados para lutar, as operárias são enviadas para o front em missões suicidas. Elas não se engajam na batalha, apenas explodem, liberando toxinas e uma gosma pegajosa para matar ou imobilizar os invasores.
O comportamento foi mencionado pela primeira vez em 1916, mas nenhuma espécie foi formalmente descrita desde 1935. Essas formigas são endêmicas da floresta tropical de Bornéu, uma ilha na Ásia dividida por Indonésia, Malásia e Brunei. Por décadas, cientistas se referiam a elas como membros do grupo Colobopsis cylindrica. Agora, pesquisadores do Museu de História Natural e da Universidade Tecnológica de Viena, na Áustria, junto com cientistas da Universidade de Brunei Darussalam, identificaram e descreveram 15 espécies de formigas explosivas, sendo uma delas desconhecida até então.
A nova espécie, conhecida popularmente pelos habitantes da ilha como “gosma amarela” por causa da secreção amarelada liberada após a explosão, foi batizada como Colobopsis explodens. Ela foi escolhida pelos pesquisadores como modelo para o grupo por ser “particularmente propensa ao autossacrifício quando ameaçada por artrópodes inimigos, bem como cientistas intrusos”.
Segundo as observações, apenas formigas operárias pequenas possuem a capacidade de explodir. Outras castas possuem outras especializações, como as operárias grandes, batizadas como “porteiros”, que possuem cabeças grandes usadas para a montagem de barricadas físicas nas entradas das colônias. As C. explodens são pequenas e avermelhadas, com a parte traseira relativamente grande e preta.
Quando se deparam com um inimigo que não serão capazes de vencer, as formigas mordem o invasor, direcionam a parte traseira para o atacante e flexionam o abdômen com tanta força que rasgam seus próprios corpos, liberando a toxina gosmenta amarela armazenada em seu interior.
O comportamento suicida é parecido com o de algumas espécies de abelhas, que morrem após liberarem o ferrão no inimigo. O fenômeno é conhecido na ciência como autótise, e visto basicamente em formigas, abelhas e cupins, que praticam o sacrifício altruísta em benefício da colônia.
Como modelo, a Colobopsis explodens irá servir como ponto de partida para estudos futuros sobre as formigas explosivas. A equipe de cientistas já está preparando artigos com o perfil químico, a microbiologia, a anatomia e a evolução da espécie.
Fonte: O Globo
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