
07/06/2018
Não consegui ver as cenas da baleia morrendo entalada com 80 sacolas plásticas na Tailândia. Como sabem aqueles que me seguem neste espaço, creio que bichos também sentem dor, medo, se emocionam. E, como são vulneráveis e sabem “apenas” viver do jeito mais natural possível, acabam sendo enredados facilmente nas armadilhas que os humanos lhes pregam.
Jogar bolsas plásticas no mar, ou não botar o lixo no lugar certo, nem se preocupar muito com isso, faz parte de uma prática. Fazemos isso ou, mesmo quando não fazemos, elegemos administradores que não priorizam a questão ambiental, muito menos o lixo. E vida que segue. Até que um dia, pouco antes do Dia Mundial do Meio Ambiente, somos emparedados com uma cena dessas. Uma espécie linda, que também é importante para nos manter vivos aqui no planeta, é morta de forma cruel e sofrida por causa de nossa total irresponsabilidade. É duro.
Reproduzo aqui o comentário do professor José Eli da Veiga em seu último texto publicado no jornal “Valor Econômico” do dia 30 de maio:
“O mundo já está saturado com bilhões de toneladas anuais de detritos, dos quais grande parte vai diretamente para os oceanos, drama sobre o qual mesmo sociedades bem avançadas dão péssimo exemplo. Basta dizer que cada habitante dos EUA já produz mais do que 700 quilos de lixo por ano”.
Mas amanhã é o Dia Mundial do Meio Ambiente, e eu deveria estar escrevendo aqui sobre boas práticas, deveria estar elencando projetos bem-sucedidos pelo bem da natureza que nos cerca. Confesso que não tenho ânimo para isso, mesmo sabendo que são muitas as pessoas que conseguem driblar o sistema e vivem de maneira a impactar cada vez menos o meio ambiente. Mesmo sabendo que há indústrias preocupadas com a sujeira que causam e que já têm reduzido sua pegada.
José Eli me ajuda a dar uma pausa nas projeções pessimistas quando cita “uns vinte sinais encorajadores” de que a humanidade está começando a acordar e a tentar mudar o paradigma atual. Um relatório chamado "Modos de vida e práticas ambientais dos franceses", do Comissariado Geral do Desenvolvimento Sustentável, órgão do Ministério da Transição Ecológica e Solidária, mostra que “a triagem de vidros, papéis e embalagens está sendo feita regularmente por 85% dos habitantes da França; que 81% deles estão, sistematicamente, apagando a luz ao deixar um cômodo e que mais de 40% estão evitando o uso do carro individual , enquanto outros 40% se mostram dispostos a pagar mais por energia menos suja”.
Tudo isso é ótimo, mas ainda vemos uma baleia morta depois de tanto ingerir sacos plásticos.
Texto de Amelia Gonzalez no G1
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