
07/06/2018
O lixo plástico nos oceanos se transformou numa campanha global liderada pelas Nações Unidas em 2018. Estima-se que, se nada for feito para reverter a tendência, haverá mais plástico do que peixes nos mares até 2050.
Ainda não se sabe exatamente de onde vem o lixo que polui o Atlântico Sul, que banha a costa do Brasil. "Boa parte do lixo que chega ao mar vem de fontes terrestres", afirma Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo).
"Nas praias, a poluição ocorre de acordo com as atividades que são realizadas nos seus arredores", adiciona Turra. Na região de Santos, litoral sul de São Paulo, por exemplo, cotonetes são encontrados com facilidade. "Isso se deve ao fato de a principal fonte de poluição ser o esgoto. As pessoas jogam o cotonete na privada, dão descarga, e tudo vai parar no mar", explica.
No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente acaba de criar uma comissão para lançar, em 2019, o Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar. Segundo Turra, que integra a comissão, as fontes de lixo que poluem o mar serão mapeadas como parte do Plano.
No último ano, o mapa de áreas protegidas no país ganhou novos pontos. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que abriga um cerrado conservado, foi ampliado. A maior extensão de caatinga preservada, região conhecida como Boqueirão da Onça, virou área protegida depois de mais de dez anos de espera. No mar, dois mosaicos de conservação foram criados.
Por outro lado, organizações apontam ofensivas que enfraquecem a Floresta Amazônica. No estado de Rondônia, 11 unidades de conservação criadas em março último tiveram uma vida curta: apenas oito dias. A Assembleia Legislativa anulou os decretos que protegeriam 537 mil hectares, o equivalente a 3,5 cidades de São Paulo. As unidades haviam recebido 657 mil reais do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).
"Estamos enfrentando o mais preocupante ataque ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação dos últimos anos", alerta Jaime Gesisky, do WWF. "O debate sobre manter ou mesmo ampliar unidades de conservação deve ser central nas políticas públicas de meio ambiente, permear todos os setores nos governos federal, estaduais e municipais. Mas essa agenda acaba sendo capturada por interesses ligados a setores produtivos, como o agronegócio e a mineração, com forte representação nos três poderes", critica.
A matéria pode ser lida no G1
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