
21/06/2018
Enquanto governos nacionais discutem em cúpulas como reduzir as emissões de poluentes para deter o aquecimento global, as soluções estão ao alcance das administrações locais. São as cidades que concentram a maior parte da chamada pegada de carbono deixada pela humanidade na Terra. Trata-se do conjunto das emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa embutidas em todo o ciclo de vida de um produto ou um serviço, da fabricação ao seu consumo, incluindo o uso e o descarte de resíduos. Um estudo conduzido por pesquisadores baseados na Noruega, que estimou pela primeira vez a pegada de carbono de cerca de 13 mil das maiores concentrações urbanas do planeta, indica que políticas locais e ações dos próprios habitantes das cidades são os instrumentos mais poderosos para desacelerar o aquecimento global.
Atualmente, cerca de 4,2 bilhões de pessoas, ou 55% da população mundial, vivem em cidades. Essa proporção deverá subir para 68% em 2050, segundo as Nações Unidas (ONU). São pessoas que precisam morar, alimentar-se, vestir-se, entre outras necessidades. Assim, compram cada vez mais produtos fabricados longe dali, bem como usam energia gerada em usinas distantes e ocupam imóveis construídos com materiais de construção trazidos de fora.
O estudo, liderado por Daniel Moran, pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, e publicado recentemente no periódico científico Environmental Research Letters, mostra que as pegadas de carbono das cidades e seus habitantes vão muito além de suas emissões diretas, como, por exemplo, as do transporte de casa para o trabalho e vice-versa, ou das fábricas localizadas dentro de seus limites geográficos. As decisões de consumo e os investimentos em infraestrutura compõem o impacto que uma determinado aglomerado urbano provoca no clima.
O trabalho permite concluir que, nesse tema, é mais importante avaliar as cidades do que os países. A pesquisa mostra que 41 das 200 cidades com as maiores pegadas de carbono, uma em cada cinco, estão em países cujas emissões totais e per capita são relativamente baixas. É o caso de aglomerações urbanas de países pobres ou em desenvolvimento, como Daca (Bangladesh), Cairo (Egito), Lima (Peru) ou Manila (Filipinas).
— Ficamos surpresos em ver que em muitos países algumas cidades controlam praticamente toda sua pegada de carbono — contou Moran, em entrevista ao GLOBO. — Isso faz com que seus prefeitos sejam tão poderosos quanto os presidentes para reduzir as emissões.
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