
03/07/2018
A Praça Aquidauana, na Vila da Penha, ganhou cor. Em meio ao tráfego constante de automóveis da Avenida Vicente Carvalho, o quarteirão incrustado entre vias importantes da Zona Norte do Rio passou, enfim, a chamar a atenção. Num movimento organizado pela associação Rio Eu Amo Eu Cuido e pela Cultura Inglesa, o local recebeu um banho de loja regado pelos próprios moradores do bairro. A iniciativa partiu de professores da rede de ensino da língua inglesa, que mobilizaram os alunos a pensar em formas de revitalizar o lugar.
— Todos nós estávamos completamente desacreditados de que conseguiríamos uma mudança real. Mas não queríamos que essa área ficasse pior. É aquela ideia da janela quebrada: se você vê uma janela estilhaçada, normalmente você tem vontade de quebrar mais. Não desejávamos que aqui virasse uma janela quebrada — compara o professor de inglês Raphael de Miranda, morador da Vila da Penha.
Com a sugestão de seus alunos, Raphael listou uma série de melhorias para a praça. Outras turmas se engajaram na ação, e a ideia tomou fôlego. Agora, seis meses após o início do projeto, com a devida aprovação da prefeitura, as alterações positivas se concretizam na rua, finalmente. Pela primeira vez, haverá um ponto de ônibus na praça, com banco e cobertura para chuva. A estrutura foi montada na manhã deste sábado.
— São coisas simples que nunca saíam do papel. Foi muito bom ver estudantes de 11, 12 anos envolvidos, com consciência, nessa proposta. Eles mesmos se mexeram para arrecadar o material necessário para gerarmos isso aqui — conta Jorge Marques, gestor de comunicação institucional da Cultura Inglesa.
Ao longo do dia, mudas foram plantadas no gramado da praça. As crianças também pintaram os bancos e bueiros com tintas coloridas. Enquanto isso acontecia, um coral de jovens da comunidade da Maré apresentava versões para músicas conhecidas do público. Aliás, agora a praça também conta com uma arquibancada metálica fixa, que fará as vezes de plateia para apresentações artísticas.
— A ideia é que todo mundo coloque a mão na massa. Mesmo! No começo, ficamos com medo de isso não dar certo. Mas agora a gente vê que tudo é possível. Os adolescentes perguntaram se não podiam instalar uma caixinha para doação de livros, por exemplo. E eles foram lá e levantaram as medidas da estrutura de madeira para construir isso. A mudança da praça virou o assunto de todo o semestre em nossas aulas — conta a gerente da unidade da Cultura Inglesa de Vila da Penha.
Fonte: O Globo
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