
14/08/2018
Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o AquaRio, é a esperança para salvar corais ameaçados em todo o mundo pelos efeitos do aquecimento global. Os recifes correspondem a apenas 0,01% do fundo do mar, mas são responsáveis por 25% da biodiversidade marinha. Além disso, os corais estão mais ameaçados pelas mudanças climáticas do que a Floresta Amazônica, alerta um dos pesquisadores.
Os primeiros resultados do trabalho foram animadores e já repercutem mundialmente. Há menos de um mês, foi iniciada uma nova fase da pesquisa para ratificar os dados iniciais. O estágio atual do experimento está previsto para terminar até 20 de agosto, dia em que um representante da Nasa (a agência espacial americana) deve conhecer o projeto.
— A gente conseguiu diminuir muito os efeitos de branqueamento (processo que mata os corais), com os probióticos (bactérias usadas no composto). Reduzimos significativamente as mortes. Houve melhora de 56% na capacidade de a alga do coral realizar a fotossíntese, e isso é uma medida indireta para avaliar a saúde dos corais — afirma Rachel Peixoto, coordenadora do estudo, que só este ano já recebeu mais de 20 convites de todo o mundo para apresentar o trabalho.
O branqueamento vem se intensificado com as mudanças climáticas. O pesquisador Gustavo Duarte, que também participa da experiência, explica que, com o aquecimento da temperatura da água do mar, uma alga que vive nos recifes, responsável por produzir fotossíntese, morre. Sem ela, os corais ficam sem nutrientes, perdem a cor e se tornam mais suscetíveis a doenças, o que leva à morte.
— Os recifes vivem muito perto do limiar térmico que suportam. Eles vivem a 28 graus no verão e, a 31 graus, morrem. Os picos de temperatura do El Niño (fenômeno climático que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico) começaram a ficar mais dramáticos, e os corais branqueiam — diz Duarte.
A Austrália, muito afetada pela morte de recifes, é uma das 12 nações que acompanham os resultados do estudo aqui no Rio. A estimativa é que o país já tenha perdido um terço d e sua barreira de corais. Para impedir esses danos, pesquisadores brasileiros criaram uma substância batizada pela sigla BMC (micro-organismos benéficos para os corais, em inglês). O produto, na verdade, é uma seleção de sete bactérias naturais. Elas foram separadas pelos pesquisadores em supercorais de Maraú, na Bahia. Durante uma visita à região, Gustavo e Rachel perceberam que um único recife tinha corais afetados e outros saudáveis.
A matéria foi originalmente publicada em O Globo
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