
09/10/2018
Os vencedores do Nobel de Economia de 2018 são William Nordhaus, de 77 anos, e Paul Romer, 62. A dupla de americanos levou o prêmio por seu trabalho ressaltando a importância da política governamental no estímulo do crescimento econômico sustentável.
Nordhaus foi premiado por seu pionerismo na abordagem do impacto econômico da mudança climática, incluindo sua defesa pela taxação das emissões de carbono.
Já Romer, por seu trabalho sobre o papel da política no encorajamento à inovação tecnológica. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Academia Real de Ciências da Suécia, que elege os ganhadores.
Nordhaus, professor de economia na Universidade de Yale, foi pioneiro na criação de um modelo para analisar os custos das mudanças climáticas. O economista fez estudos que mostram que o meio mais eficiente para resolver os problemas causados pelas emissões de gases é aplicar um imposto global a todos os países.
Romer contou que não atendeu quando o telefone tocou de manhã porque achou que fosse uma ligação de telemarketing feita por um robô. Ele então checou o identificador de chamadas e viu que o telefonema vinha da Suécia, então ele retornou a ligação e, após ficar um pouco na espera, descobriu que era um dos ganhadores do Nobel.
O anúncio do prêmio foi feito no mesmo dia em que um painel das Nações Unidas sobre mudanças climáticas divulgou um relatório alertando sobre suas terríveis consequências e pedindo aos governos que respondam ao problema com maior urgência. O relatório baseia-se no e cita o trabalho de Nordhaus.
"Na sua essência, a economia lida com a gestão de recursos escassos. A natureza dita as principais restrições ao crescimento econômico e nosso conhecimento determina quão bem lidamos com essas restrições. Os laureados deste ano, William Nordhaus e Paul Romer, ampliaram significativamente o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o conhecimento", diz a nota da Academia sueca.
Criador da Teoria do Crescimento Endógeno, Romer se destaca por levar em conta inovações tecnológicas em suas análises. A Academia Sueca destaca que sua pesquisa "mostra que é o acúmulo de ideias que sustenta o crescimento econômico de longo prazo".
Ele defende que as mudanças que têm mais impacto para o progresso são as que acontecem nas cidades — e não as decorrentes das grandes decisões nacionais. Seu modelo preferido é o das vizinhas Hong Kong e Shenzhen, metrópoles chinesas onde foram aplicadas políticas que aceleraram seu desenvolvimento e acabaram por transformar o país.
Leia a matéria em O Globo
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