
18/10/2018
Ao menos 72 bebês nasceram com microcefalia em Angola entre fevereiro de 2017 e maio de 2018, de acordo com um relatório interno da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao qual a Reuters teve acesso. Os casos indicam uma possível relação com suspeita de vítimas de um surto emergente de zika no país.
O relatório da OMS reviu ainda em abril que dois casos de uma cepa perigosa do zika confirmada no início de 2017, junto com os casos de microcefalia identificados desde então, o que fornece "fortes evidências" de casos de microcefalia ligado ao zika em Angola.
A falta de dados e testes de diagnóstico, juntamente com um sistema de saúde inadequado, dificultou o acompanhamento do surto. Mas novas descobertas de uma equipe de pesquisadores em Portugal sugerem que é o primeira no continente africano envolvendo a cepa asiática da doença.
Foi a cepa asiática que causou pelo menos 3.762 casos de malformações congênitas relacionadas ao zika, incluindo microcefalia, no Brasil desde 2015, além de graves surtos em outros países latino-americanos. Médicos e pesquisadores agora temem que ele se espalhe de Angola para outros países do continente africano.
O Ministério da Saúde de Angola informou que tinha registros de 41 casos de zika e 56 de microcefalia desde janeiro de 2017, quando começou a coletar dados. Não ficou claro por que os números diferem do relatório interno da OMS. A falta de capacidade de teste significa que muitos casos de microcefalia não são detectados, acrescentou a pasta, observando que a microcefalia tem muitas causas.
"Provavelmente nem todos os casos de microcefalia podem ser atribuídos ao vírus da zika", afirmou o ministério, listando uma série de outras causas potenciais, como a sífilis e a rubéola.
"Não podemos deixar nossa atenção sobre isso cair", disse Eve Lackritz, uma médica que lidera a força-tarefa da OMS para a zika. "Temos que ficar vigilantes e ter uma ação responsiva."
Nascido em um bairro pobre da capital de Angola, Luanda, Emiliano Cula, menino de 10 meses de idade, tem microcefalia, malformação congênita marcada pelo tamanho da cabeça e sérios problemas de desenvolvimento. Ele ainda não consegue se sentar e tem dificuldade em ver e ouvir.
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