
18/12/2018
O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a comunidade internacional a superar suas diferenças para relançar a luta contra a mudança climática durante as negociações desta quarta-feira (12) da Conferência do Clima da ONU, a COP 24, segundo informações da agência France Presse. A reunião tenta definir um "livro de regras" para o Acordo de Paris — cujo principal objetivo é manter o aquecimento do planeta abaixo de 2ºC.
"Pode soar como um apelo dramático, e é exatamente isso. As questões políticas essenciais ainda não foram resolvidas", constatou Guterres, que voltou à cidade polonesa onde cerca de 200 países estão reunidos até sexta-feira (14) para tentar definir o livro de regras.
Apesar dos informes científicos serem cada vez mais alarmantes e das condições extremas como ondas de calor e secas já estarem sendo registradas em várias regiões do mundo, a comunidade internacional está esbarrando em muitos obstáculos para chegar a um acordo nesta 24ª Conferência do Clima da ONU, que começou em 2 de dezembro sob a presidência polonesa.
"Nesta COP, alguns estão ficando deprimidos, outros estão se desesperando", resumiu nesta quarta-feira (12) a presidente da fundação norueguesa EAT, Gunhild Stordalen.
O contexto geopolítico atual também não convida ao otimismo: além da saída anunciada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a incerteza sobre a permanência do Brasil sob o futuro governo de Jair Bolsonaro ou a revolta dos "coletes amarelos" na França contra uma taxa ecológica sobre os combustíveis parecem estar afetando o processo.
Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Kuwait se recusaram, além disso, a aceitar as conclusões do último informe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que alerta sobre as consequências nefastas que um aumento superior a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais teria para o planeta.
"Não é uma boa notícia, mas não podemos nos permitir ignorá-la", disse Guterres.
As negociações estão estagnadas na elaboração das regras para aplicar o Acordo de Paris. Os países ricos, por exemplo, pressionam para que, em termos de transparência, as normas comuns para calcular as reduções de emissões de cada país sejam o mais exigentes possível, enquanto os demais Estados afirmam necessitar mais tempo e muito dinheiro.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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