
18/12/2018
Um som gravado pela primeira vez em 1965 deixava biólogos intrigados há 53 anos: o cantar extremamente rápido de um rã, até este ano desconhecida. Mais de meio século depois, agora se sabe que a rãzinha que cantava ali é a Pseudopaludicola matuta, descoberta recente do biólogo Felipe Silva de Andrade, aluno de doutorado da Unicamp. A espécie costuma ter pouco mais de um centímetro.
O achado se transformou em um artigo publicado no "European Journal of Taxonomy" . A espécie foi encontrada na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
— O canto de anúncio da P. matuta é uma vocalização composta por séries de curtas notas pulsadas, tendo cada nota dois pulsos. A principal diferença é a rapidez com que as notas são emitidas pelos machos — descreve o biólogo Felipe Andrade ao jornal da Unicamp.
As gravações originais estavam guardadas na Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV), do Museu de Zoologia da Unicamp. Por muito tempo, o som foi confundido com o produzido por uma espécie próxima, a P. mineira, mas Andrade explica que o canto da P. matuta é ainda mais rápido que o de sua “prima”.
Em busca da rãzinha que cantava, o biólogo foi até Curvelo (MG) e ao Parque Nacional da Serra do Cipó, também em Minas Gerais. Ele conta que teve sorte porque, por conta de um temporal no dia anterior à sua chegada, as rãs deram um “pequeno show” durante sua pesquisa de campo.
— Silêncio no brejo é ruim e, se não chove, o bicho não canta — explica.
Fonte: O Globo
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