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Animais criados para morrer geram debate ético sobre caça na França

18/12/2018

Quem caminha pelas florestas da França nessa época do ano pode ouvir os tiros. A caça faz parte da história do país há muitos milhares de anos. Pinturas rupestres encontradas em cavernas representam cenas de caça da pré-história. Mas ao defender valores como a não violência e o respeito aos seres vivos, uma parte da sociedade moderna tenta estabelecer uma nova relação com o mundo animal.
Atividade de lazer dos reis e da burguesia, a caça era feita com diferentes tipos de armamento e mesmo a ajuda de falcões. Na pintura, na literatura e na cultura francesa não faltam ricas histórias de caçadores e suas lendas. Em 1789, quando os privilégios foram abolidos pela Revolução Francesa, o que era uma atividade restrita à nobreza torna-se uma demanda da sociedade. E o que fora uma prática de sobrevivência, no final do século 19 vira um lazer, com a industrialização do fuzil.
Hoje qualquer cidadão francês pode ter acesso a uma permissão para matar animais. Os bichos mais frequentes na mira dos caçadores são: veados, cervos, javalis, lebres, coelhos, raposas, faisões, patos e perdizes. A lista inclui 91 espécies, o que faz da França um dos países campeões na Europa em diversidade de fauna abatida: 69 delas são de aves e mais de 20 estão em situação de risco. E o que sempre foi uma tradição, agora gera debate na sociedade. Ainda que a caça seja altamente regulamentada no país.
Na França, o candidato deve seguir uma formação nas federações departamentais de caça e passar por um exame teórico e prático do Ofício Nacional da Caça e da Fauna Selvagem (ONCFS). Os menores de 16 anos podem caçar acompanhados.
Atualmente, esse é o hobby de 1,2 milhão de franceses. O país tem um dos mais longos períodos de caça da Europa, durando em média de setembro a fevereiro, com variações nos diferentes departamentos. Os tipos de animais, as quantidades abatidas e os horários são rigidamente controlados, assim como o tipo de armamento, os calibres e a distância mínima para atirar. O problema, portanto, não está na falta de regras, mas na natureza da atividade.
“O caçador é um apaixonado, ele ama o seu espaço, ele cuida do seu espaço e gerência as espécies, ele não quer dinheiro, ele simplesmente quer garantir o interesse das espécies”, afirma Nicolas Rivet, diretor-geral da Federação Nacional dos Caçadores da França.
“Se há um desequilíbrio entre as espécies, algumas podem dominar e há o risco de que outras desapareçam. Nós precisamos ter na natureza um equilíbrio entre as espécies, se não a mais forte vai se adaptar melhor e vai sobreviver em relação às outras e por isso precisamos de uma regulação”, completa.

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