
10/01/2019
As emissões de gás carbônico (CO²) nos Estados Unidos cresceram 3,8% em 2018, a maior elevação em oito anos, de acordo com um estudo preliminar publicado nesta terça-feira, pela organização de pesquisa Rhodium Group.
O grupo fez a estimativa usando dados do governo para os três primeiros trimestres de 2018, somados a dados industriais mais recentes. A alta das emissões ocorre ao mesmo tempo em que um número recorde de usinas de carvão localizadas nos EUA fecharam as portas. Isso ilustra o quão difícil pode ser para o país conseguir avanços de mudanças climáticas para os próximos anos, particularmente quando a administração de Donald Trump afrouxa as legislações que regulam limites de emissão de gases causadores do efeito estufa.
A estimativa indica uma mudança preocupante. Desde 2005, as emissões de gás por combustível fósseis registram queda, tendo declinado significantemente nos últimos três anos, em parte por causa da expansão do gás natural de baixo preço e de energia renovável, que vinha substituíndo rapidamente as fontes de energia oriundas do carvão. No entanto, nem mesmo a queda no uso de carvão no ano passado foi capaz de compensar a alta nas emissões de poluentes.
Segundo o estudo, parte da explicação do aumento está relacionada a motivações climáticas. O inverno relativamente mais frio fez com que o uso de óleo e gás para aquecimento crescesse em regiões como a Nova Inglaterra. Mas, igualmente importante, o crescimento acelerado da economia dos Estados Unidos no último ano fez com que a emissão oriunda de fábricas, aviões e caminhões crescesse. A poluição emitida pela indústria nacional, entre os quais aço, cimento, química e refinaria, por exemplo, aumentou 5,7%, de acordo com a pesquisa.
— A grande lição, para mim, é que nós ainda não tivemos sucesso em descolar o crescimento de emissão dos Estados Unidos com o crescimento econômico — afirmou Trevor Houser, analista de clima e energia da Rhodium Group.
Autoridades que estão trabalhando na área de mudança climática, na esfera federal e estadual, até o momento evitaram regulações para a indústria pesada, responsável por cerca de um sexto das emissões de carbono. Ao invés disso, eles estão concentrados em ações no setor de eletricidade, como a promoção de energia eólica e solar.
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