
15/01/2019
“Se você quer ver onde o aquecimento global está realmente acontecendo, procure em nossos oceanos. O aquecimento dos oceanos é um indicador muito importante da mudança climática, e temos fortes evidências de que eles estão aquecendo mais rapidamente do que pensávamos”. A declaração é de Zeke Hausfather, um estudante de pós-graduação do Grupo de Energia e Recursos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e co-autor do artigo largamente publicado ontem dando conta do fenômeno preocupante. É preciso lidar com rapidez para um evento climático que também está vindo rápido, muito mais do que os próprios cientistas foram capazes de prever.
Isto implica diretamente no modo de vida do cidadão comum. Quem mora em cidades costeiras já sofre um grave risco, com o aumento do nível do mar e com tempestades mais chuvosas e mais poderosas.
A vida marinha também está sofrendo, e como consequência temos uma mortandade de vidas marinhas que não conseguem se adaptar a um novo status em seu habitat natural. Até mesmo o encalhe de baleias, que vem acontecendo também muito mais vezes do que antes, é consequência direta do fato de elas não encontrarem comida onde costumavam encontrar. Acabam nadando para águas mais rasas em busca de alimento, o que é fatal para elas.
Os avisos de que estamos vivendo uma situação de risco não param de cair em nossas caixas de correio, o que mostra a gravidade da situação e a necessidade de se tomar medidas cautelosas. Em várias partes do mundo, tais medidas já estão em curso.
Aqui no Brasil, onde vínhamos vivendo um protagonismo na área do meio ambiente desde a Rio-92, as coisas estão num outro ritmo. O tema das mudanças climáticas foi retirado da estrutura do Ministério das Relações Exteriores e pulverizado em outras secretarias. Segundo nota publicada no site do Observatório do Clima (OC), “a extinção da Divisão de Clima permite antever que o tema climático perderá peso no Itamaraty – apenas dois anos e meio depois de o então chanceler José Serra promovê-lo a prioridade – ficando prejudicada a participação que o Brasil tem nas negociações do clima e que traz recursos, investimentos e soft power ao país”.
O pano de fundo disso é que o atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, assumiu a pasta alardeando seu negacionismo com relação às mudanças climáticas. Na verdade, acima dele, o próprio presidente Jair Bolsonaro, na mesma linha de Donald Trump, também não concorda em que se dê tanta atenção à ciência neste sentido. A ponto de a Organização Meteorológica Mundial, agência ligada às Nações Unidas, ter feito publicamente um pedido a Bolsonaro para que ele não pare de se engajar em temas relacionados às mudanças do clima, segundo reportagem publicada há pouco no site do “Estadão”.
O artigo pode ser lido no G1
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