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Grupos de proteção de animais reclamam da falta de apoio da Vale para resgate em Brumadinho

29/01/2019

Grupos de proteção de animais reclamam da falta de apoio da Vale para o resgate de bois, vacas, capivaras e cachorros presos na lama em Brumadinho (MG). No domingo, uma vaca acabou sendo sacrificada após tentativa frustrada de retirar o animal do meio dos rejeitos da barragem 1 da Mina do Feijão, que se rompeu na sexta-feira. Os voluntários dizem que o trabalho deles também é prejudicado pelos bombeiros e policiais, que os impedem de fazer o resgate. O caso mobilizou voluntários e foi bastante comentado nas redes sociais.
A situação levou a ativista pelos direitos dos animais Luisa Mell a viajar, nesta segunda-feira, até Brumadinho para tentar ajudar o trabalho de resgate dos voluntários do instituto que leva o seu nome que já estão na cidade. Pela manhã, o grupo conseguiu salvar um cachorro vira-lata que estava isolado na lama e parecia querer guardar o local onde o dono ficou soterrado.
Segundo os socorristas, há enorme quantidade de animais presos na lamaçal. Os bombeiros chegaram a resgatar pássaros em gaiolas e cachorros encontrados em casas abandonadas.
— Eles estão sem água, estão ali atolados morrendo. E a Vale só tem um helicóptero. Como assim só um? Estou bem revoltada — disse a ativista. — Vou me encontrar com os voluntários e participar da missão deles. Sei que as informações são bem desencontradas. Vamos ver o que conseguimos fazer por esses animais que não têm culpa nenhuma do que está acontecendo — disse Luisa Mell, que planeja fazer um sobrevoo na região para verificar o estado do local e onde estão outros animais presos à lama.
Procurada, a assessoria de imprensa da Vale informou ter iniciado, imediatamente, o resgate da fauna impactada pelo rompimento da Barragem 1, na mina Córrego do Feijão. Em nota, afirmou que "o trabalho vem sendo desenvolvido por oito equipes, com apoio de biólogos da Vale e de empresas contratadas, especialistas em fauna silvestre e veterinários".
"Uma unidade móvel de atendimento médico-veterinário já está em operação na região atingida. Está sendo realizado ainda o resgate da ictiofauna. Os animais estão sob os cuidados das empresas contratadas", diz trecho do comunicado. "A Vale ressalta que todas as atividades estão alinhadas com as diretrizes de segurança definidas pela Defesa Civil".
A Vale já havia informado, em seu perfil no Twitter, ter disponibilizado, até este domingo, 200 quilos de ração para os animais.
De acordo com o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bomeiros de Minas Gerais, a atuação de voluntários está sendo coordenada pela corporação. Ele explica que, na área quente, como é chamado o local onde a lama oferece mais risco, o trabalho é muito difícil e deve ser feito somente por uma equipe especializada.
— A gente conta com o apoio, por exemplo, de algumas pessoas em relação ao acolhimento dos animais que estão sendo resgatados, em relação à atividade de apoio administrativo, mas na área quente pela especificidade da atuação, a gente tem que tomar cuidado para que essas pessoas que estão com boa vontade não se transformem em novas vítimas. O trabalho é muito difícil e, quando uma pessoa entra na lama, ela precisa realmente do apoio de uma equipe especializada para que a gente não tenha essa tragédia maximizada — explicou.

Fonte: O Globo

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