
31/01/2019
O mundo enfrenta epidemias simultâneas de obesidade e desnutrição em meio a um cenário de mudanças climáticas, numa conjunção de problemas que constitui a maior ameaça à saúde humana e do planeta hoje e no futuro próximo, aponta relatório de comissão internacional de especialistas de diversas áreas reunida pelo prestigiado periódico médico-científico “The Lancet” publicado neste domingo.
Denominada como uma “sindemia global” pelos integrantes do grupo, esta ameaça tem interesses comerciais escusos, falta de vontade das lideranças políticas e o descaso e omissão da sociedade em geral como seus principais impulsionadores, demandando assim uma ação multilateral e multifacetada, na forma de uma convenção-quadro das Nações Unidas similar à adotada contra o tabaco, para seu combate, defendem.
- Até agora, a desnutrição e a obesidade têm sido vistas como polos opostos (da ingestão) de ou poucas ou muitas calorias, mas na realidade elas são ambas resultados do mesmo sistema alimentar desigual e insalubre, sustentado pela mesma economia política focada exclusivamente no crescimento e que ignora seus efeitos negativos na saúde e justiça – afirma Boyd Swinburn, professor da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, e copresidente da comissão do “Lancet”, batizada EAT (“comer” em inglês). - E as mudanças climáticas têm a mesma história de lucros e poder que ignoram os danos ambientais causados pelos atuais sistemas alimentares, de transporte, urbanismo e uso da terra. Unir essas três epidemias em uma “sindemia global” nos permite considerar causas comuns e soluções compartilhadas com o objetivo de quebrar décadas de inércia política.
A comissão EAT é a mesma que no último dia 17 publicou estudo que elaborou o que foi apelidado de “dieta planetária”, capaz de salvar vidas e ao mesmo tempo ser sustentável em termos ambientais para alimentar uma população mundial que espera-se chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050. Nela, os especialistas recomendam, entre outras coisas, concentrar a ingestão de proteínas em leguminosas como feijão, grão-de-bico e lentilhas e reduzir drasticamente o consumo de carnes a uma média de apenas 14 gramas por dia no caso de bovinos, o que dá um bife pequeno por semana. Com isso, afirmam os especialistas, seria possível evitar 11 milhões de mortes precoces anuais e minimizar o impacto do sistema alimentar no meio ambiente.
A matéria pode ser lida em O Globo
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