
14/02/2019
Cinco meses após o incêndio do Museu Nacional, o cheiro de fumaça persiste — pode ser sentido metros antes de se entrar no prédio, mas fica ainda mais intenso no nariz de quem passa pelos corredores e salões do que outrora foi a instituição científica mais tradicional do país e reunia mais de 20 milhões de itens. Nesta terça-feira, dia 12, o museu foi aberto pela primeira vez a jornalistas desde que o prédio foi consumido pelo fogo, em setembro passado. O cenário ainda é de ruína, mas os pesquisadores e o diretor do lugar, Alexander Kellner, estão animados: eles dizem que já conseguiram recuperar mais peças do que achavam que seria possível. Embora ainda não consigam dar uma estimativa do quanto.
Logo após o incêndio ser contido, os estudiosos achavam que tudo o que não conseguiram retirar do antigo palácio naquela mesma noite havia sido perdido. Agora, fazem uma força-tarefa para catalogar, limpar e restaurar uma série de peças: cerâmicas, minérios, fósseis como o do Maxacalissauro — um dos dinossauros mais queridos pelas crianças que frequentavam o museu — e o do crânio de Luzia, ainda que muitas delas tenham sido encontradas em pedaços.
— Só na coleção dos vertebrados, tínhamos 12 mil itens — exemplifica a coordenadora da coleção de paleontologia de vertebrados, Luciana Carvalho. — Logo de cara, pensamos que tudo havia se perdido. Mas, agora, acreditamos que talvez recuperemos cerca de 5 mil, só dessa coleção.
Muitas peças foram protegidas pelo "acaso": minérios que haviam sido retirados de exibição ao público e separados para uma futura exposição, que seria feita em dezembro, foram guardados em armários de metal na parte de trás do prédio. Isso fez com que eles fossem pouco afetados pelas altas temperaturas.
Os pesquisadores afirmam que não é possível ainda estimar o quanto do acervo, dos equipamentos e dos elementos arquitetônicos foi salvo até o momento. A maior preocupação, por ora, é concluir os trabalhos, e não contabilizar os itens, alegam eles.
O diretor do museu anunciou que, "em breve", será realizada uma exposição com os itens resgatados. Ele disse não poder precisar a data, até porque o trabalho de identificação e retirada dos itens do museu, com a complexa tarefa de separar o que é escombro e o que é peça valiosa, ainda não terminou.
— Vocês vão ver várias "Luzias", isso eu posso garantir — disse Alexander Kellner.
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