
28/02/2019
O carnaval de São Paulo atrai cada vez mais foliões, mas não quer atrair sujeira. Para ajudar a diminuir as centenas de toneladas de lixo geradas todo ano nessa data, blocos de rua e escolas de samba aderiram a uma "folia sustentável". Os vilões da vez são os copos descartáveis. No lugar deles, entraram na festa copos coloridos, personalizados e — o melhor — reutilizáveis e recicláveis. Muita gente já desfilou com eles pelas ruas da capital paulista no pré-carnaval do último final de semana, para matar a sede com a consciência (ecológica, pelo menos) limpa.
O bloco RabuSuju, que reúne quatro mil pessoas a cada edição na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, exibe este ano um copo amarelão, inspirado no Tropicalismo. O modelo faz parte de um "kit" para os seguidores do bloco.
— Depois das sacolas de supermercado e dos canudos de plástico, o copo descartável entrou no foco. Carnaval é uma vitrine, é momento de falar de assuntos importantes também. Nossa ideia é fazer um bloco sustentável. O nome é RabuSuju, mas de sujo não tem nada — diz o neurologista Alan Andrade, que fundou o bloco com amigos e médicos baianos em 2016.
Os organizadores amarram sacos de lixo no carro de som, para que as pessoas já descartem o que consumirem durante o desfile. Em grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, o carnaval gera cerca de 500 toneladas de lixo nos principais dias de folia.
— Pedimos também para as pessoas levarem glitter e confetes ecologicamente corretos. A cultura do bloco é associar saúde e meio ambiente — diz o cardiologista Sérgio Câmara, presidente e co-fundador do RabuSuju, que desfilará no dia 9 de março.
O grupo de amigas e influenciadoras digitais Sapatour escolheu os copos reutilizáveis para o rolê no carnaval deste ano. O modelo traz o símbolo do grupo e é oferecido aos fãs que serão arrastados por elas na programação de blocos pelo centro da cidade.
— As pessoas bebem mais no carnaval, não é? Os copos atendem a isso, além de serem sustentáveis. O nosso leva a bandeira do nosso público, que é LGBT. Acaba virando um minibloco de quem usa os mesmos copos — conta Yasmin Akutsu, uma das líderes da Sapatour.
— Vai ser menos lixo no chão depois, ainda mais no centro, que concentra muita gente no carnaval. As pessoas vão se acostumando e criando consciência — completa Luana Aguiar, também criadora da Sapatour.
A preocupação com a geração de lixo extrapola os limites da capital paulista. O carnaval de Ilhabela, destino turístico no Litoral Norte de São Paulo, adotou os copos reutilizáveis pela primeira vez no carnaval deste ano. Eles serão oferecidos aos turistas que comprarem bebidas durante os desfiles das escolas de samba.
Leia a matéria em O Globo
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