
12/03/2019
Idealizado há uma década por cientistas e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e disponibilizado online desde 2013, o Herbário Virtual Reflora tornou-se, em poucos anos, uma ferramenta indispensável para as pesquisas sobre a flora brasileira. Agora um time de pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que gerencia e sedia o projeto, do Jardim Botânico de Kew (Londres), um dos primeiros parceiros externos, e da Universidade de Pelotas (RS), publica o primeiro estudo que procura mensurar a importância do Reflora para as pesquisas e ações de conservação no Brasil.
O artigo Enhancement of conservation knowledge through increased access to botanical information (Aprimoramento do conhecimento em conservação através do aumento do acesso à informação botânica), publicado em 27 de fevereiro de 2019 na revista Conservation Biology, mostra que o objetivo do HV Reflora tem sido alcançado no que se refere às pesquisas, contribuindo para um incremento significativo do conhecimento relevante para a conservação. Mas o estudo aponta também que existe uma lacuna entre os usos efetivos da ferramenta e suas citações em publicações científicas. Daí a necessidade de criar métricas capazes de aferir o real impacto desse tipo de acervo, de forma a garantir sua sustentabilidade em longo prazo.
A pesquisa se baseou em uma revisão da literatura científica na qual o Reflora é citado e em um questionário online direcionado aos usuários do Herbário Virtual. No levantamento feito sobre a literatura, aparecem como predominantes os usos para avaliação do estado de conservação das espécies e o registro de novas espécies para a ciência. O questionário online, por outro lado, revelou uma ampla utilização do Reflora para estudos de distribuição, taxonomia e filogenia, bem como de identificação de espécimes, além de uma variedade de outras aplicações.
A comparação entre os resultados das duas abordagens revelou a lacuna entre os usos e as citações. "Quem está agora no mestrado e no doutorado não sabe como fazer pesquisa sem o herbário online e outros bancos de dados desse tipo. O HV Reflora se tornou uma ferramenta de uso tão comum e difundido em nossa área que às vezes os usuários se esquecem de citá-lo. Não estão habituados a isso, diferentemente do que acontece com os herbários físicos, livros e artigos científicos", observa Rafaela Campostrini Forzza, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, coordenadora do HV Reflora e uma das autoras do estudo.
Essa lacuna é ainda maior quando se considera que o Reflora não é utilizado apenas para pesquisa, mas tem aplicações práticas. "Se um profissional fazendo um EIA-RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) em algum lugar do Brasil utiliza a ferramenta para auxiliar na identificação das plantas, ainda não temos como aferir esse uso", exemplifica a pesquisadora.
Os autores entendem que ter métricas de impacto dessas ferramentas na ciência é algo a ser pensado a priori. Esta pesquisa sobre o Reflora contribui nesse sentido ao prover, entre outras coisas, categorias de uso que podem servir para a elaboração de abordagens de monitoramento automatizado em pesquisas futuras sobre outros acervos online desse tipo.
Leia a matéria no site do CNPq
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