
12/03/2019
Pesquisadores de Universidades de Mato Grosso, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro embarcaram em uma expedição pelo Pantanal. Eles alertam para os efeitos das mudanças climáticas na maior planície alagável do planeta.
Dona Maria está sempre de olho no nível do rio. “Como agora, a gente não sabe se vai subir, se vai baixar. Fica aí escutando o movimento da água”, conta a ribeirinha Maria José Pilar.
O sobe e desce das águas não é por acaso não. Os ciclos hídricos têm uma importante função ambiental. No período da cheia, o rio transborda e invade a planície. E é essa inundação que renova a vida no Pantanal.
“Ambientes como o Pantanal, ecossistemas como o Pantanal, que são movidos pelo pulso de inundação, são os mais produtivos. Essa produtividade é expressa na abundância da pesca e na abundância de aves no Pantanal”, afirma Carolina Joana da Silva.
Um sistema tão complexo e ao mesmo tempo tão vulnerável às mudanças climáticas. Um grupo de 25 pesquisadores de três estados percorreu 600 km dos rios Paraguai e Cuiabá, no Pantanal mato-grossense. Uma equipe fez coleta de materiais para quer saber quais são as espécies que pegam carona com os aguapés e como elas se comportam nos ciclos de inundação.
Eles também registraram as alterações ocorridas na paisagem ao longo do rio nos últimos anos. Como a presença do abobreiro, árvore que serve de alimento e abrigo para várias espécies, está diminuindo em uma região e aumentando em outra. As mudanças climáticas também estão acelerando o aparecimento de ilhas ao longo do Rio Paraguai.
“Esses sedimentos que vão se instalando ali, vai criar as ilhas né e vamos ter muito espaço terrestre e menos espaço aquático, que é o que caracteriza o Pantanal com um sistema único de área úmida no mundo”, diz a doutora em Ecologia Solange Ikeda Cartrilon.
Mas quanto vale o Pantanal preservado? É o que o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro quer calcular. “É mais ou menos como uma herança. Se você ganha uma herança e começa a gastar essa herança como se fosse uma renda corrente, vai chegar um momento que o seu dinheiro acabou. É mais ou menos como essa riqueza natural. Ela é imensa, mas ela não é infinita, ela acaba”, explica Carlos Eduardo Young.
Fonte: G1 / JN
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