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Exploração de recursos naturais mais do que triplicou em 50 anos

14/03/2019

Um relatório divulgado pela ONU nesta terça-feira alerta que a extração de recursos naturais mais do que triplicou desde 1970, um ritmo mais acelerado do que o crescimento populacional. Entre os principais destaques está o avanço de 45% no uso de combustíveis fósseis.
O documento, intitulado Panorama Global sobre Recursos 2019, preparado pelo Painel Internacional sobre Recursos (IRP, na sigla em inglês), foi examinado durante a maior assembleia ambiental do mundo, que acontece esta semana em Nairóbi, no Quênia. Entre os objetivos do estudo está a análise de padrões de consumo dos últimos 50 anos, contribuindo para que os formuladores de políticas públicas elaborem projetos de economia sustentável.
Segundo o panorama, ao longo das últimas cinco décadas, a população dobrou e o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou quatro vezes. A extração global anual de materiais, por sua vez, passou de 27 bilhões de toneladas para 92 bilhões de toneladas em 2007. Seguindo este ritmo, o volume pode dobrar até 2060.
Também estima-se que, até 2060, mantido o atual ritmo de exploração de recursos naturais, haverá uma redução de mais de 10% das florestas e 20% das pradarias, entre outros habitats. Já as emissões de gases-estufa aumentarão até 43%.
— O panorama mostra que estamos avançando sobre os recursos finitos do planeta como se não houvesse amanhã, causando mudanças climáticas e a perda de biodiversidade ao longo do caminho - condena Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente. - Francamente, não haverá amanhã para muitas pessoas se não pararmos.
Ainda de acordo com o relatório, "a extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos respondem por cerca de metade do total global de emissões de gases do efeito estufa e por mais de 90% da perda de biodiversidade e estresse hídrico".
Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e copresidente do IRP, ressalta que o setor privado já está "sentindo na pele" os efeitos provocados pela exploração ambiental descontrolada.
— Não há como manter o crescimento econômico mundial se não houver controle sobre a extração de recursos — ressalta. — Por isso, manter o bem-estar da Humanidade implica o estabelecimento de um pacto ambiental.

Fonte: O Globo

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