
26/03/2019
O abastecimento de água no Vale do Paraíba e em outras regiões do país pode estar em risco pela falta de preservação da Floresta Amazônica. É o que alertam pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) ouvidos pelo G1 no Dia Mundial da Água, comemorado na última sexta-feira (22).
Antonio Nobre e José Marengo fizeram parte de grupos de pesquisadores que há mais de uma década espalharam aparelhos meteorológicos pela Amazônia e depois processaram, em São José dos Campos (SP), dados de um fenômeno.
Eles comprovaram a existência de uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar, da Amazônia ao centro-sul do continente. "Um rio maior que o Amazonas", compara Nobre, PhD em Ciências Naturais, pela Universidade de New Hampshire (EUA), e hoje pesquisador no Inpe .
"Esse rio voador só existe graças à Floresta Amazônica, que produz umidade e impulsiona a formação dele", complementa Marengo, doutor em meteorologia, com pós doutorado no renomado Instituto Goddard, da Nasa. Hoje, Marengo é coordenador-geral de pesquisas no Cemaden.
Os rios voadores, como metaforicamente foram chamados pelos pesquisadores, nascem perto da linha do Equador, ao norte do Pará. O sol evapora água do Oceano Atlântico, e a transporta para dentro do continente, graças à ação dos alísios, um vento especial que carrega umidade e provoca chuva por onde passa.
Quando percorre a região da Amazônia, essa coluna de ar úmido ganha um poderoso e decisivo aliado. Ela se junta à umidade emitida pela ´transpiração´ das árvores amazônicas. O destino desse rio voador seria o Oceano Pacífico, não fosse um outro ponto determinante no percurso, a Cordilheira dos Andes.
Ao encontrar os Andes, o rio voador faz uma curva e ganha velocidade, rumo ao centro do continente. Leva chuva ao Centro-oeste, Sudeste, e partes do Sul e Nordeste brasileiros, antes de perder força. Sem esse rio voador, a realidade seria diferente.
"Do outro lado dos Andes é o Atacama, o deserto mais seco do mundo. Na África é o Namíbia-Kalahari, na Austrália é o deserto da Austrália. E São Paulo, essa região do Centro-Oeste pra baixo, é uma região que seria, geograficamente, um deserto. Esse era nosso destino geográfico, não fossem os rios voadores e a floresta", explicou Nobre
A quantidade de vapor emitida pelas árvores foi calculada pelos pesquisadores. "Uma árvore amazônica, com uma copa de 20 metros, chega a colocar mil litros de água por dia na atmosfera. É um irrigador em reverso. Se você pensar que a Amazônia tem 400 bilhões de árvores de variados tamanhos, a quantidade de água que passa do solo pro ar, num dia, é de 20 trilhões de litros de água. O Rio Amazonas, que é o maior do mundo, joga no Atlântico, no mesmo período, 17 trilhões de litros de água", comparou o pesquisador.
Leia a matéria completa no G1
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