
02/04/2019
Apesar de já bastante conhecida e denunciada, a poluição de plástico nos oceanos ainda carece de mensurações mais locais para identificar a origem e o tamanho do problema em cada cidade ou comunidade. Um trabalho inédito realizado ao longo do último ano em Santos, litoral paulista, conseguiu mapear as fontes do lixo observado nas praias e também sua composição e quantidade.
O número surpreende: por dia, cerca de 60 toneladas de resíduos – 12,5% do que é gerado diariamente na cidade – vão parar no mar. A maior parte disso, 85%, é de material plástico. É como se o lixo produzido por uma cidade de 65 mil habitantes fosse todo para o mar.
O resultado preliminar do trabalho, passado com exclusividade para o Estado, será divulgado nesta sexta-feira, 22, data que marca o Dia Mundial da Água. O levantamento aponta que há três fontes principais de contaminação: as ocupações irregulares em palafitas, o descarte irregular nas ruas que acaba sendo carreado por chuvas e correntezas para os canais de drenagem da cidade, além do próprio lixo jogado diretamente na orla e na faixa de areia.
Apesar de Santos ser uma cidade portuária, apenas cerca de 20% dos resíduos encontrados na praia são provenientes do porto ou da pesca. Cerca de 80% do lixo tem origem urbana, aponta o trabalho.
A análise sobre a composição do material também revela que o problema vai muito além dos canudinhos que vêm sendo banidos em várias partes do mundo. Eles também estão ali, engrossando uma lista de pelo menos 35 tipos de plástico que foram identificados. Nos mares do mundo todo, mais de 80 tipos de resíduos já foram encontrados.
“Em Santos, tudo vai parar no mar, de embalagens plásticas a utensílios domésticos. Encontramos brinquedos, vestuário, calçados, fraldas. O canudinho virou o grande vilão, como já ocorreu antes com a sacolinha plástica, mas certamente não é o único. Ao colocar a mão na massa, encontramos de tudo”, afirma Carlos Silva Filho, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), que coordenou o trabalho.
O estudo é resultado de uma cooperação entre Abrelpe, Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA) e Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Santos, com o apoio da Agência de Proteção Ambiental da Suécia.
Para fazer o diagnóstico, os pesquisadores analisaram a conformação da cidade e seu fluxo hidrodinâmico e fizeram monitoramentos em série na areia, no mangue, onde estão as ocupações irregulares, e nos canais que cortam a malha urbana e funcionam como sistema de drenagem.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, a cidade inteira conta com coleta de resíduos e todos os bairros também tem uma vez por semana coleta seletiva, mas ele aponta que o problema é que ainda ocorre descarte irregular nas ruas e que nas palafitas não tem como ser feito esse trabalho.
A matéria pode ser lida no Estadão
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