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Dinheiro de pesquisas científicas brasileiras acaba em julho

04/04/2019

Um novo corte no já reduzido orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), anunciando na semana passada pelo governo de Jair Bolsonaro, ameaça o pagamento de bolsas de estudo e, por extensão, a produção científica brasileira.
O alerta veio de algumas das principais entidades científicas do país, que estimam que, com a redução de verbas destinadas ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), só será possível cobrir auxílios a alunos e pesquisadores até julho. Para o resto do ano, não há verba.
O CNPq é a principal agência de fomento à pesquisa científica do país e está subordinada ao MCTIC. Fornece aproximadamente 80 mil bolsas, bancando 11 mil projetos. No início do ano, o orçamento do órgão já tinha um rombo de R$ 300 milhões, o que só viabilizaria o pagamento de bolsas até setembro. Na última sexta-feira, o cenário de crise foi acelerado, com um decreto estabelecendo o contingenciamento de 42,2% das verbas previstas para a pasta em 2019.
— Este corte prejudica a formação de pesquisadores que poderiam contribuir para áreas críticas ao progresso do país, como o desenvolvimento de remédios que permitam enfrentar epidemias ou tecnologias para aumentar a segurança de barragens — avalia Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Ele também prevê que alunos de pós-graduação tenham de deixar os estudos, “porque precisam de recursos para sobreviver", e que os bolsistas que estão fora do país tenham de retornar.
Presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Evaldo Ferreira Vilela recorda que o CNPq teve dificuldades para pagar os bolsistas até o final do ano passado. Em 2019, acredita, será pior.
— Não estou vendo disposição da área econômica do governo para resolver esta conta — critica. — Os bolsistas de mestrado ganham R$ 1.500 mensais. Os alunos de doutorado, R$ 2.200. No ano passado, em Minas Gerais, vi estudantes recebendo o auxílio com 15 dias de atraso e que tiveram dificuldade para pagar ônibus e comprar comida.

Saiba mais em O Globo

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