
27/06/2019
A capital francesa está vivendo dias de calor intenso, uma espécie de “Paris-40 graus”. Seria um chiste, se eu não estivesse falando sobre um sofrimento intenso de uma população que absolutamente não está preparada para uma temperatura tão alta.
É mais ou menos como se tivéssemos, aqui no Rio de Janeiro, um frio abaixo de zero durante um período. Os hospitais ficariam cheios de pessoas com revezes próprios de uma temperatura tão baixa, e, possivelmente, teríamos mortes de moradores de rua e idosos pouco preparados para mudança tão grande em seu corpo.
E é disso que se trata quando os ambientalistas e cientistas alertam para uma questão que muitos fazedores de políticas públicas ainda teimam em negar. As mudanças climáticas já estão tornando o planeta menos agradável para os humanos. E, já que o incômodo ocorre de Norte a Sul, já que a atmosfera é uma só e precisa de cuidados, não dá mais para tratar reuniões de clima globais, como as que a ONU convoca, como encontros de menor importância que merecem, no máximo, a página dois.
E não é só Paris que vive seus dias de clima tropical. Segundo reportagem publicada no britânico “The Guardian”, os meteorologistas esperam temperaturas máximas também na Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, França, Alemanha, Luxemburgo, Holanda e Suíça, com recordes de todos os tempos em alguns desses países.
Além disso, tem a poluição do ar. Um relatório do Alto Conselho para o Clima publicado ontem pela primeira vez alerta para o fato de que a França só conseguiu baixar 1,1% suas emissões de gases poluentes desde que assumiu compromissos mais graves no Acordo de Paris em 2015. Em poucas palavras, não levou muito a sério a urgência climática, que durante a reunião naquele ano, praticamente todos os países das Nações Unidas, juntos, declararam que começariam a enfrentar seriamente.
O Reino Unido, que por enquanto não está sofrendo com a onda de calor desses dias, também se preocupa com a poluição do ar, já que relatório recente publicado na revista “Environmental Research Letters” mostrou que as intervenções de políticas públicas nos últimos 40 anos não foram suficientes para livrar os britânicos de poluentes atmosféricos: todos estão acima dos limites legais na maioria das áreas urbanas.
Estima-se que 36 mil pessoas morram, por ano, por conta da poluição do ar no Reino Unido.
Já o calor excessivo matou, em Paris, na última onda forte que aconteceu em 2003, 15 mil pessoas. De lá para cá, os parisienses passaram a ser alertados freneticamente pelas autoridades quando a temperatura aumenta.
Cartazes são espalhados pelas ruas, instruindo as pessoas para beberem água, evitarem ingestão de álcool, manterem seus corpos úmidos, a casa fresca (fechando a persiana durante o dia), evitarem fazer exercícios, sair à rua em pleno sol e procurarem, sempre, saber notícias de entes queridos que morem sozinhos.
Leia a matéria completa no G1
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