
22/08/2019
Quando falamos de "desertificação", é porque os danos causados no solo, pela falta de chuvas e pela ação humana, já são quase irreversíveis. Combater esse processo não é fácil.
Mas algumas iniciativas no Nordeste do Brasil tentam reverter os impactos da desertificação. Enquanto pesquisadores recorrem à ciência para criar modelos de preservação e recuperação da vegetação nativa, pequenos agricultores buscam "conviver bem com o semiárido" e "manter a caatinga em pé".
Atualmente, pelo menos 12,85% do semiárido brasileiro enfrenta o processo de desertificação, segundo o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens e Satélites (Lapis). Mas as áreas sob risco são ainda maiores: o equivalente a 16% de todo o território nacional.
Nesta edição do Desafio Natureza, o G1 foi até o sertão nordestino para ver áreas degradadas da caatinga e projetos que tentam restaurá-las. Também fomos ao Parque Nacional da Serra da Capivara e observamos um modelo de preservação que produziu desenvolvimento regional.
Como restaurar áreas degradadas pela desertificação? Pesquisadores do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema) estão trabalhando desde 2014 nas margens dos canais criados pela transposição do Rio São Francisco.
A obra da transposição, conduzida pelo governo federal, abriu dois eixos de canais de concreto com mais de 700 km no meio do sertão. O objetivo era levar água para zonas mais secas. Não há como uma operação desse tamanho passar sem impactos ao meio ambiente. Mas, pelo menos, o projeto da transposição previu minimizá-los.
Uma das propostas do Nema, ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), é justamente recuperar áreas desmatadas na transposição, recompondo a vegetação típica da caatinga. Segundo o coordenador do projeto, o professor Renato Garcia Rodrigues, o modelo criado por eles pode funcionar também na recuperação de áreas desertificadas.
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