
27/08/2019
A Amazônia não é o pulmão do mundo e, até o momento, não sofre a maior queimada de sua história. Mas ainda assim, o fogo que arde na floresta incinerou a reputação internacional do país. Entenda por que a Amazônia mobiliza como poucos assuntos a atenção do planeta e de que forma o que acontece lá tem impacto no restante do Brasil.
A Amazônia mexe com corações e mentes porque materializa o imaginário da natureza selvagem e influencia o clima de regiões a milhares de quilômetros de distância. A comoção, no entanto, brota de raízes plantadas em fatos, na razão. As imagens de floresta, uma das últimas regiões selvagens da Terra, e seus animais queimados comovem, a de povos ameaçados, choca.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Abriga a maior biodiversidade do planeta. Estimativas da Plataforma Brasileira de Biodiversidade sugerem que 20% das espécies da Terra estão lá. São cerca de 40 mil espécies de plantas, 300 espécies de mamíferos, 1,3 mil espécies de aves, habitando em 4,196.943 km² de florestas densas e abertas, segundo o ICMBio. O Brasil tem 60% dela e ela corresponde à metade do país (49,29% do território). A maior floresta tropical tem o maior e mais volumoso rio, o Amazonas. Lá está também uma das maiores diversidades culturais do mundo, com centenas de etnias e povos não contactados.
Ela é uma das grandes reguladoras do clima do mundo. Exporta todos os dias colossal volume de umidade para a atmosfera. O clima da América do Sul e do Brasil em especial é regulado pela Amazônia . As chuvas que alimentam o agronegócio no Brasil Central e trazem água para o Sudeste dependem da umidade transportada da Amazônia por jatos de ventos atmosféricos, que se convencionou chamar de rios voadores.
De reguladora ela passa a fonte de emissão de gases do efeito estufa. Estes em excesso mudam o clima e causam eventos extremos, como secas severas e tempestades intensas. A Amazônia é o ecossistema continental com maior quantidade de carbono armazenado. São 200 gigatoneladas de carbono. Se lançadas na atmosfera, aquecerão mais o planeta, que já esquenta.
A redução ou perda de cobertura de árvores com o desmatamento não somente altera o fluxo de vapor de água que um dos reguladores do clima regional, como libera o carbono armazenado na vegetação para a atmosfera, principalmente como CO2, principal gás do efeito estufa. Além disso, a mudança da cobertura florestal para outros usos altera a temperatura superficial localmente. Estudos no Xingu já mostraram isso.
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