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Guerrilha colombiana explora ouro ilegalmente na Venezuela, perto da fronteira do Brasil

03/09/2019

O Exército de Libertação Nacional (ELN), maior guerrilha em atuação na América Latina depois de as conterrâneas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se desmobilizarem e se tornarem um partido político, atua na exploração ilegal de ouro na Venezuela, a 250 quilômetros da fronteira com o Brasil. O negócio paralelo resulta em transporte do minério — ou do dinheiro associado a ele — ao território brasileiro, em ritmo frenético e à margem de fiscalização.
Criado nos anos 1960 sob inspiração da Revolução Cubana, o ELN também iniciou negociações de paz com Bogotá, mas elas não prosperaram. Seus membros atravessaram a fronteira com a Venezuela e avançaram país adentro, chegando até a região de mineração em Bolívar. É o estado que faz fronteira com Roraima, rota dos milhares de imigrantes venezuelanos que decidiram deixar seu país e tentar a vida no Brasil.
O Globo confirmou a informação sobre a presença do ELN no arco de mineração em Bolívar com 12 fontes distintas. O Exército brasileiro e a Polícia Federal (PF) têm informações reservadas sobre a atuação do ELN na região de Las Claritas, uma cidade dominada pela mineração ilegal, a 250 quilômetros — ou três horas e meia de carro — de Pacaraima (RR), cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela.
Um desertor de um órgão de espionagem do governo de Nicolás Maduro, abrigado em Pacaraima, disse à reportagem que esteve na região e que presenciou a atuação do grupo guerrilheiro. O mesmo relato foi feito por garimpeiros brasileiros que extraíram ouro no local e por empresários de Roraima que enriqueceram com a exploração ilegal do minério.
Três instituições independentes de pesquisa, que mapearam a penetração do ELN na Venezuela, incluíram nesses mapas o arco de mineração em Bolívar. Dois pesquisadores independentes, de outros institutos, chegaram à mesma conclusão, assim como o Ministério Público da Colômbia e a alta cúpula das Forças Armadas daquele país.
Além de Las Claritas, guerrilheiros exercem influência em outras cidades dependentes do ouro ilegal, como El Callao, a 434 quilômetros de Pacaraima; Tumeremo, a 395 quilômetros; e El Dorado, a 333 quilômetros da cidade brasileira. O respaldo do regime de Maduro à atuação do ELN é apontado tanto pelo governo colombiano quanto por venezuelanos que passaram pela região. A Venezuela estaria cada vez mais dependente do ouro extraído desses lugares, diante da crise econômica aguda e das sanções comerciais e financeiras dos Estados Unidos.
Cerca de mil guerrilheiros do ELN estão na Venezuela e outros 1.400 na Colômbia, de acordo com as Forças Armadas colombianas. Outras autoridades do país mencionam números maiores: 4 mil na Venezuela e 2 mil na Colômbia.

Leia mais em O Globo

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