
05/09/2019
Ao longo dos 100 quilômetros da estrada de terra que corta a Floresta Nacional do Bom Futuro, próxima a Porto Velho, Rondônia, é fácil encontrar mata nativa queimada. Em seus 20 anos de história, essa unidade de conservação na Amazônia nunca teve seu destino tão ameaçado por invasões, grilagem, desmatamento e fogo como nos últimos meses.
Estrategicamente posicionada, uma brigada de incêndio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tenta evitar que uma área de reflorestamento do tamanho de 70 campos de futebol seja a próxima vítima dos incendiários. Os criminosos não poupam árvores jovens ou centenárias ao lançar, geralmente sobre uma moto, um "coquetel" antes de atear fogo.
Em todos os nove estados da Amazônia Legal, casos semelhantes fizeram o número de alertas de queimadas disparar em 2019. De janeiro a agosto, foram mais de 46 mil focos registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um aumento de mais de 100% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Em Bom Futuro, uma clareira aberta poucos dias antes da visita da DW Brasil ao local, no fim de agosto, deve virar cinzas nos próximos dias, dizem os agentes. Uma estaca fixada no solo indicava que o lote já fora marcado para a venda. É como funciona a cadeia do crime na Amazônia em unidades de proteção: invasores desmatam, ateiam fogo, jogam sementes de capim, marcam e vendem o terreno ilegalmente.
"Isso é grilagem de terra", afirma a geógrafa e especialista em gestão ambiental.
Quem compra a terra, muitas vezes, desconhece a ilegalidade por trás dela. Antônio C., por exemplo, mora na região há décadas e diz que sua propriedade não tem documentos oficiais. Original do Paraná, ele chegou a Rondônia na década de 1980, a chamada época da colonização.
"Não é legalizado, você não sabe quem é o dono, e quem não é. Você mora na propriedade, mas não tem direito", disse C. à DW Brasil. Ele tenta negociar a multa de R$ 80 mil que recebeu por desmatamento ilegal da floresta.
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