
12/09/2019
O que pode ser mais importante e ter mais valor do que a vida? Não tem debate político que alcance esta prioridade, nem mesmo quando se estende a conversa para a acumulação do capital, o aumento do PIB, o comércio exterior, a Bolsa de Valores.
Não tem preconceito sobre gênero, religião ou raça que se sobreponha ao simples ato de respirar, que leva à certeza da existência. Estou escrevendo sobre o óbvio, sim, mas é incrível como esta obviedade não está presente à mesa de discussões dos líderes e tomadores de decisões.
Um novo relatório, publicado na última terça-feira (10) pela Comissão Global de Adaptação (GCA), liderada pelo ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon, pelo empresário Bill Gates e pela CEO do Banco Mundial Kristalina Georgieva, conclui o que está escrito acima, de forma oficial.
As perdas de vidas, associadas às tragédias provocadas pelas mudanças do clima, podem ser evitadas. Esta é a boa notícia. A outra notícia é que isto depende de capital: para salvar vidas, o mundo precisará investir US$ 1,8 trilhão ao longo da próxima década em medidas que possam adaptar regiões às tempestades, secas e furacões. O retorno dessa aplicação, garantem os estudiosos, em termos de benefícios diretos e indiretos, poderá ser quase quatro vezes maior para a economia global.
Aqui vale um parêntesis: no ano passado, os gastos militares globais alcançaram US$ 1,82 trilhão, ou seja, mesmo valor que pode ser investido para salvar vidas. Não para acabar com elas.
A má notícia é que os governantes sabem disto, mas preferem se esquecer. O valor da vida acaba sendo menor do que a necessidade de agradar aos eleitores que podem render bons votos (melhor seria dizer fieis?). Ao mesmo tempo, muito ainda se exige de quem se senta à cadeira do poder, que leve progresso e desenvolvimento ao país, independentemente dos impactos que isto possa causar.
O relatório, que pode ser lido aqui assume o que todos nós também já fomos informados a respeito: as ações que estão sendo feitas até agora no sentido de baixar as emissões de carbono e, assim, tentar conter o aquecimento global, não serão eficazes. Espera-se, assim, que o planeta estará mais quente, no mínimo, dois graus (fala-se em três graus), até o fim do século. E que isto vá redundar em torrentes de eventos extremos que poderão causar muitos problemas.
Só no ano passado, para se ter uma ideia, os fenômenos climáticos atingiram quase 60 milhões de pessoas, segundo a ONU. E para 2050, ou seja, daqui a três décadas, os prognósticos não são nada tranquilos: calor letal para humanos em algumas regiões, falta de água em outras, falta de áreas agricultáveis, redundando em menos comida.
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