
17/09/2019
Enquanto as estrelas do cinema desfilavam pelos tapetes vermelhos em Veneza, no festival do dia 7 de setembro, grandes celebridades, como Mick Jagger, davam apoio a ativistas ambientais que protestavam contra as mudanças climáticas. Até o presidente Bolsonaro foi lembrado como algoz do clima, ao lado de nomes de líderes que não têm respeitado as evidências científicas sobre o aquecimento global.
Não muito longe dali, porém, outro grupo trazia um cartaz onde se lia “Não a grandes navios”, chamando a atenção de amigos meus que estavam por ali, turistando e tietando. Mandaram-me a foto e pesquisei para trazer a informação até vocês.
Para contextualizar o movimento, e não transformá-lo somente num protesto de moradores contra grandes navios nos canais de Veneza, vale conhecer um pouco mais da história local. No século XVI, explica o historiador Franco Corè, expert em Veneza, os donos do poder decidiram dar uma travada nos abusos de consumo das famílias venezianas.
“Os dispositivos legislativos limitavam o luxo da moda masculina e feminina e obrigavam certos grupos sociais a usarem sinais distintos. As mulheres não precisavam usar roupas de seda, tranças e vestidos com ouro, prata ou pérolas na cabeça; as mangas não deveriam ser muito longas e tinham pérolas. O uso de joias no pescoço também foi proibido. Aos fiscais cabia identificar encargos desnecessários, despesas injustificadas, assentos e salários que não faziam sentido , para eliminá-los. O objetivo era ganhar economia e eficiência”, escreve Corè.
Essa época, quando Veneza era chamada de “Sereníssima”, foi lembrada pelos ativistas ambientais do movimento “No Grand Navi”. Até com uma certa inveja, se assim podemos definir o sentimento. Séculos e séculos depois, aquela eficiência em cortar custos excessivos, em parar de cometer abusos, foi lembrada. É uma boa referência para os políticos atuais, que desprezam até mesmo os estudos mais rígidos que mostram os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente. Mesmo que, naquela época, o meio ambiente ainda não dava sinais de exaustão como vem dando.
Voltamos para a atualidade e para os protestos. O “No Grand Navi” foi criado exatamente com o objetivo de conter os excessos. No caso específico, os excessos de grandes navios de Cruzeiro que entram na Baía de São Marco, elevando não só a poluição como o risco de se chocarem com outras embarcações menores. Isto aconteceu recentemente.
No dia 2 de junho, um grande navio de cruzeiro colidiu com um bote que transportava turistas na lagoa, ferindo quatro pessoas e jogando outras nas águas.
A matéria completa pode ser lida no G1
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