
26/09/2019
Um grupo de golfinhos se deslocando rapidamente no mar de Fernando de Noronha chamou a atenção na ilha na segunda-feira (23). De acordo com pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador, que flagraram a movimentação na região do Porto de Santo Antônio, este é um registro raro.
“Esse comportamento não é frequente, não é todo momento que é realizado porque consome muita energia para o deslocamento com grande velocidade”, explica o biólogo Flávio Lima, coordenador-geral do projeto e presidente do Centro Golfinho Rotador.
Segundo o estudioso, isso acontece em algumas situações específicas. Entre elas, estão casos de fuga dos animais em razão de ameaça, como tubarão; perseguição para alimentação ou ainda para copular.
“Nós descartamos que o comportamento tenha acontecido para alimentação porque a região do registro, próxima ao Porto, não é favorável para alimentação“, diz o profissional.
A hipótese de que os golfinhos estavam sendo perseguidos por tubarões durante o registro feito pelos pesquisadores é uma das que são levadas em consideração. “A presença de tubarão nessa região tem sido cada vez maior, um fato natural. Nesse caso, os golfinhos rotadores estariam em fuga”, conta Lima.
Os estudiosos do projeto acreditam, porém, que a movimentação dos golfinhos tenha sido um comportamento de cópula. "É possível que os machos estavam perseguindo a fêmea para copular. A fêmea nada à frente e os machos seguem em tentativa de cópula. Seria uma sucessão de grupos de cópula. É bem provável que esse seja o motivo do comportamento”, afirma.
Estudiosos registraram, nesta segunda-feira (23), a presença de 1.293 golfinhos rotadores em Noronha, um número considerado maior do que nos dias habituais. O recorde no número de golfinhos na ilha foi observado em 2014, quando foram contabilizados 2.719 animais. O nome científico da espécie é Stenella longirostris.
O Projeto Golfinho Rotador pesquisa os golfinhos na ilha desde 1990. Ele é desenvolvido pelo Centro Golfinho Rotador, que também promove educação ambiental e envolvimento comunitário na ilha, com apoio da Petrobras.
Diariamente, os pesquisadores monitoram dois pontos fixos: a Baía dos Golfinhos e o Forte dos Remédios. O projeto também faz o monitoramento em embarcações de turismo em Noronha.
Além disso, os estudiosos realizam um censo diário. Eles catalogam a quantidade de animais, hora de chegada, tempo de permanência e hora de saída nas regiões. Também observam o comportamento dos golfinhos na ilha.
“A presença dos golfinhos em Fernando de Noronha tem uma importância fenomenal porque em nenhum outro lugar do mundo é possível observar essa concentração diária em repouso, reprodução e cuidado com os filhotes”, diz Flávio Lima.
Fonte: G1
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