
24/10/2019
Uma universitária que resgatou uma tartaruga encalhada em Fortaleza diz ter ficado com manchas na pele após o contato com o mar e a areia da Praia do Futuro, um dos principais pontos turísticos da capital. Adla Farah, de 27 anos, aluna do curso de medicina veterinária, acredita que o óleo espalhado pelo litoral do Nordeste pode ter provocado a reação alérgica.
Ela conta que participou do resgate do animal em 26 de setembro. Depois de devolvê-lo ao mar, deitou na areia. Horas depois, percebeu o aparecimento de manchas por todo o corpo.
"Começou a coçar e não parava mais. Fiquei com o corpo todo ´embolotado´, de alergia. Fui a dois médicos, tomei antialérgico por dez dias. Suspeito que foi o petróleo, pois não comi nada fora do normal, não fiz nada que não faço nos meus dias normais", relatou.
Adla disse que permaneceu cerca de cinco dias com os sintomas. "Não tem nenhum exame que possa comprovar [a causa da reação]. É tipo uma alergia, uma intoxicação. Nesse dia, não sabia direito a extensão do problema [do óleo no litoral]. Não fui mais na praia, desde então. Fiquei com receio", disse.
O relato de Adla coincide com o alerta emitido, dias depois, pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace): em 4 de outubro, uma semana após a estudante ter tido as reações na pele, a Praia do Futuro foi considerada totalmente imprópria para o banho, por ocorrência de óleo em praticamente toda a sua extensão.
"Tristeza e resistência", foram os sentimentos do estudante Gabriel Chagas, 25 anos, quando viu as manchas de óleo atingir as praias de Fortaleza. O jovem, que atua como voluntário no Instituto Verdeluz desde 2014, esteve presente em duas ações de limpeza na Praia Porto das Dunas e na Praia do Futuro, na Grande Fortaleza.
Gabriel é um entre centenas de voluntários que improvisam equipamentos e arriscam a própria saúde para limpar as praias nordestinas, afetadas por uma mancha de petróleo cru que prejudica o litoral do Nordeste desde o início de setembro. Mais de 200 praias dos nove estados da região foram poluídas.
O G1 conversou com pessoas que estão dedicadas à limpeza das praias do Ceará, sem receber dinheiro ou recompensa pelo serviço. Elas acreditam que a preservação do meio ambiente e a redução do impacto ambiental recompensam o esforço e trazem retorno para todos.
Não foram esclarecidos quais danos à saúde humana as manchas podem causar, mas a Secretaria de Meio Ambiente do Ceará orienta que as pessoas evitem o contato com o óleo para evitar riscos. Mesmo com equipamentos improvisados, os voluntários se dedicam à retirada das manchas.
Entre a fauna marinha, a poluição já causou a morte de vários animais no Ceará e no Nordeste.
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