
31/10/2019
O comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa , afirmou nesta quarta-feira que a investigação sobre o derramamento de óleo que atingiu o Nordeste está concentrada em 10 navios , de 11 países diferentes, já que um deles podia ter duas bandeiras. Na semana passada, Barbosa havia dito que as principais suspeitas recaíam sobre 30 navios. O comandante ressaltou, no entanto, que nenhuma hipótese está descartada.
— Já estamos (concentrados) em 10 navios. Estamos sintetizando as buscas. Nesse momento, são 11 bandeiras. Um navio pode ser que tenha dupla bandeira — disse Barbosa, após se reunir com o presidente em exercício Hamilton Mourão.
Barbosa afirmou que nenhuma linha de investigação foi abandonada, incluindo a possibilidade de envolvimento de um "dark ship", ou navio fantasma.
— A partir do momento em que vamos abrir um inquérito, no âmbito da Polícia Federal, um (outro) inquérito no âmbito da Marinha, que se interagem constantemente com instituições estrangeiras, não se pode dizer "essa linha do dark ship foi abandonada, não foi". Estamos com um amplo espectro. Uma tem mais probabilidade, (que) é ser um navio mercante que passou pela nossa costa.
O comandante ainda destacou que atribuir ao governo da Venezuela a responsabilidade pelo derramamento de óleo seria uma "ilação perigosa" e "antiética". De acordo com Barbosa, a única informação confirmada é a de que o óleo é de origem venezuelana, mas "não é correto" envolver o governo do país vizinho.
— Essa é uma informação que faz parte do inquérito, então nós vamos ficar nesse momento com a informação da origem (ser) da Venezuela, do petróleo ser da Venezuela. Seria uma ilação perigosa, antiética, envolver o governo da Venezuela nesse tipo de atividade, mesmo que em uma simples ilação. Não é correto fazer isso — disse Barbosa.
Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma solicitação formal à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que a Venezuela se pronuncie sobre a origem do óleo.
A decisão de pedir esclarecimentos à Venezuela sobre o vazamento ocorreu duas semanas depois de o governo do presidente Nicolás Maduro negar qualquer envolvimento com o acidente. No dia 10 de outubro, a empresa estatal de petróleo da Venezuela, PDVSA, emitiu um comunicado negando qualquer ligação com o vazamento. O comunicado classificou as afirmações de Salles sobre a origem venezuelana do óleo como "infundadas".
Fonte: O Globo
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