
05/12/2019
O documentário "Novas Espécies", que mostra uma expedição de 42 biólogos à Serra da Mocidade, na Amazônia , é um retrato fiel do trabalho de campo de cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) mapeando a biodiversidade da floresta. O que o filme, que estreia nesta semana no Rio, em São Paulo e em Manaus, não destaca é que a viagem — um dos projetos de campo mais ousados na história da instituição — só foi possível por causa do interesse dos cineastas.
Realizada em 2016, quando a ciência brasileira já passava por vacas magras de financiamento, a viagem aconteceu porque a produtora Grifa articulou uma coprodução com verba para levar os pesquisadores a um dos lugares mais isolados do planeta, acompanhados de uma equipe de produção cinematográfica com dez integrantes. Além da Grifa Filmes, a coprodução envolveu GloboNews, GloboFilmes, Filmland, Gebrueder BEETZ (Alemanha), ZDF/ARTE (Alemanha) e a NHK (Japão).
A receita de produzir o fato para depois documentá-lo incorreu, talvez, no risco de pintar os biólogos como participantes de reality show. Mas é justo afirmar que o diretor Maurício Dias extraiu um relato autêntico da expedição. As cenas de preparação do projeto mostram um ambiente um tanto quanto encenado, mas, quando biólogos e cineastas desembarcam na floresta, o foco e a concentração parece tê-los feito ignorar a presença das câmeras na maior parte do tempo.
Além dos cineastas, outro parceiro indispensável entrou na produção: o Comando Militar da Amazônia, que colocou o 4° Batalhão de Aviação do Exército à disposição dos expedicionários. O único jeito de chegar ao coração da serra era com helicópteros de grande porte e equipes com infraestrutura para abrir clareiras e acampamentos na mata remota.
A visita à Serra da Mocidade há muito era um objeto de desejo do ornitólogo Mario Cohn-Haft, chefe da expedição. O biólogo tem recorrido a fontes diversas para conduzir seu programa de pesquisa, e não lhe pareceu inusitada a parceria com cineastas. Por ser isolada e virtualmente inexplorada, a Mocidade guardava a promessa de descoberta de novas espécies, que ocorreu com fartura. Do material recolhido e fotografado por cientistas, já se extraiu a descoberta de 80 novas espécies, incluindo a de um pássaro, o tico-tico-da-Mocidade.
Para os biólogos e entusiastas mais detalhistas, todos as criaturas retratadas no filme aparecem acompanhadas de legenda indicando gênero e espécie.
Fonte: O Globo
Vendaval turbinado que atingiu o Rio e São Paulo é a ´ponta do dedo do longo braço´ do El Niño; entenda
30/07/2026
VÍDEO: maior espécie de raia do mundo é registrada durante pesquisa com baleias no ES
30/07/2026
Sucuri-amarela infestada de carrapatos impressiona no Pantanal; biólogo explica
30/07/2026
Presença de golfinhos em Fernando de Noronha cai quase pela metade em dez anos
30/07/2026
El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios
30/07/2026
Mercúrio se acumula duas vezes mais rápido na Península Antártica, aponta estudo
30/07/2026
