
12/12/2019
Num passeio de barco pelas Lagoas de Marapendi, há possibilidade de ver jacarés e capivaras, mas o olhar deve estar atento para lixo boiando nas águas ou emaranhados nas margens. A sugestão até poderia parecer estranha se não fosse um mutirão de limpeza realizado pelo projeto Rio ao Mar , em parceria com o SOS Lagoas , neste sábado, a partir das 9h. Nesta edição na Barra, com ponto de encontro no Eco-Rancho, o grupo deixa a orla para navegar em áreas de difícil acesso para o recolhimento de objetos descartados de maneira incorreta que podem desembocar no mar. Uma semana depois, no dia 22, será a vez da Praia de Copacabana receber a ação.
Este é o segundo encontro, de uma série de seis, e segue a proposta de promover também a educação ambiental para os voluntários. Numa das ações, colaboradores da cooperativa de lixo reciclável Transformando explicam, a partir do que foi colhido, o que pode ou não ser reciclado. Toda a coleta passa por uma triagem, e o que não puder ganhar vida nova terá destinação correta, fora do meio ambiente. O primeiro encontro, em 30 de novembro, foi realizado nas águas ao lado do Museu do Amanhã, na Praça Mauá. Na ocasião, os voluntários recolheram 65 quilos de resíduos.
As ações são realizadas em parcerias com outras iniciativas sem perder o foco em atrair voluntários de diversas idades para aprenderem sobre consumo e descarte, inclusive durante oficinas de artes. A coordenadora do Rio ao Mar, Ana Lycia Gayoso, vê no contato com os frequentadores a possibilidade da mudança de hábitos e da reflexão sobre o tema.
— Não faz sentido não falar com as pessoas que estão nas praias diariamente, como esportistas. Nós chegamos e vamos embora, e elas estão lá o ano inteiro. A ideia é trazer pessoas, associações e comerciantes do entorno a se envolverem. Queremos sensibilizar. Não somos educadores, somos sociedade civil querendo deixar a pulga atrás da orelha incomodando — conta Ana Lycia.
E se a proposta inclui mudanças de hábito, a equipe dá um empurrãozinho e mostra que é possível fazer pequenas modificações no dia a dia. A água a ser distribuída não vem em garrafinhas e sim em galões ao estilo do vendedor de mate na praia, com copos reutilizáveis (que vai como brinde). E nada de frutas enroladas em plástico.
— As pessoas não têm ideia da quantidade de lixo que consomem no dia a dia. Muitos plásticos, por exemplo, papel laminado de biscoito. Não têm como dar nova vida a isso. Quem participa pode até não mudar os hábitos logo, mas sai com a consciência de que pode escolher diferente — afirma.
Ao se inscrever, o voluntário ganha ainda uma blusa e um par de luvas. Em caso de chuva, o projeto publica avisos em suas redes sociais informando se o evento está cancelado.
A chegada da estação mais quente do ano vai ser celebrada no dia 22 com um encontro na Praia de Copacabana, das 9h ao meio-dia. O calendário do próximo ano já tem datas para os encontros. Em 11 de janeiro, o projeto desembarca na Praia da Bica, na Ilha do Governador, e no dia 25, na Praia da Urca, Zona Sul. Encerrando o cilo de encontros, será a vez de São Conrado na segunda semana de fevereiro, ainda sem data definida.
Fonte: O Globo
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