
17/12/2019
Renato Paquet se formou em ecologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e trabalhou em um laboratório da instituição pesquisando conservação de ecossistemas. Mas, ao notar que os estudos que produzia não eram consultados pelas autoridades em políticas ambientais, perdeu o brilho nos olhos que tinha em trabalhar com áreas de preservação. Foi então para o setor privado.
Trabalhando do “outro lado”, como diz, ele viu riscos relacionados à geração e à destinação de resíduos sólidos em relatórios das empresas com as quais tem contato.
“Ao vender uma tonelada de resíduos como matéria-prima para outras empresas, deixamos de extrair essa mesma quantidade do ecossistema. Em vez de explorar o meio ambiente, conservamos”, afirma.
Dessa reflexão nasceu a Polen, uma startup de soluções para resíduos sólidos como plásticos e matéria orgânica criada em 2017 para fazer a ponte entre as empresas que produzem o lixo e as que o utilizam como matéria-prima.
Guilherme Queiroz também transformou pesquisa em negócio. Hoje ele é CEO da Biolsolvit, startup dedicada a criar soluções para absorção de petróleo e destinação de resíduos. Guilherme não veio do meio acadêmico como Renato, mas diz que muitas ideias que nascem nas universidades têm potencial para se tornarem produtos e serviços. O caminho, porém, é espinhoso.
“O pesquisador que quer criar uma empresa tem um déficit de conhecimento. Ele sabe como desenvolver material, mas sabe falar com o mercado? Como captar o investimento? Como vender e produzir? Em geral, não. Muitos trabalhos bons morrem dentro de bibliotecas e não chegam a virar uma empresa”, diz.
Hoje, a Biosolvit tem cerca de 12 pesquisadores com dedicação exclusiva e 11 patentes registradas. As pesquisas são conduzidas em laboratórios próprios ou conveniados.
O absorvedor de petróleo criado por Guilherme foi testado na crise de vazamento de óleo no litoral brasileiro. Em 20 de outubro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, autorizou o teste do produto no mar, mas, devido à espessura do óleo, que é de origem venezuelana, o absorvedor não apresentou os resultados esperados.
Estima-se que o Brasil tenha cerca de 15 mil startups. Na plataforma da Abstart-ups (Associação Brasileira de Start-ups) há 12.717 empresas do tipo registradas. Quem insere os dados na base são as próprias empresas.
A estagnação do financiamento científico no país e a falta de oportunidades nas da universidade e instituições de pesquisa podem ajudar a explicar o investimento em startups, dizem especialistas. Desde 2013 os investimentos do governo federal na área de ciência e tecnologia vêm caindo.
Segundo Guilherme Rosso, cofundador da Emerge, ONG que atua no estímulo a cientistas que querem empreender, não há estudos robustos sobre as motivações da busca pelo empreendedorismo na área científica e tecnológica, mas sabe-se que esse movimento, que vem crescendo há anos, também se deve ao aumento no número de cientistas capacitados.
“No Brasil, boa parte dos doutores tende a ficar na academia, diferentemente do que acontece nos EUA e em outros países, onde a maior parte vai para a indústria”, diz.
“Com crise, dificuldade para se obter bolsas, falta de material e de fomento e problemas na Capes e no CNPq [agências federais de fomento], o empreendedorismo se torna uma alternativa para os cientistas brasileiros. Eles são atraídos não só pelos possíveis resultados financeiros, mas pelo impacto na solução de problemas”, afirma.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
Vendaval turbinado que atingiu o Rio e São Paulo é a ´ponta do dedo do longo braço´ do El Niño; entenda
30/07/2026
VÍDEO: maior espécie de raia do mundo é registrada durante pesquisa com baleias no ES
30/07/2026
Sucuri-amarela infestada de carrapatos impressiona no Pantanal; biólogo explica
30/07/2026
Presença de golfinhos em Fernando de Noronha cai quase pela metade em dez anos
30/07/2026
El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios
30/07/2026
Mercúrio se acumula duas vezes mais rápido na Península Antártica, aponta estudo
30/07/2026
