
30/01/2020
Aprendizado e diversão. Tudo junto e misturado. Quem consegue a proeza de, ao mesmo tempo, ensinar e brincar é Tainá Pimenta, que se autodefine como uma “professora palhaça”. Formada em Teatro pela Escola Técnica Martins Pena e com licenciatura em Artes Visuais pela Uerj, a atriz e mestre, de 25 anos, ministra oficinas de palhaçaria na universidade em que se sentou nos bancos como aluna, além de dar aulas na Escola Nossa, em Niterói, para turmas de educação infantil. E engana-se quem pensa que a lição que ela tem a compartilhar é exclusiva para crianças ou para os que pensam em ingressar no mundo circense.
— Nas oficinas, costumo ter alunos veteranos, de 60, 70 anos. A educação deve ser inclusiva em todos os sentidos. Uma pessoa com Síndrome de Down já fez o meu curso e na minha próxima turma na Coart Uerj (Centro Cultural) terei um aluno com deficiência auditiva. As turmas têm gente de várias profissões, como advogados, médicos, psicólogos... Recebo todo tipo de público — diz.
Ela afiram que seu trabalho é uma iniciação a esse mundo mágico da palhaçaria, com pesquisas, jogos de comicidade, brincadeiras, mas tudo com um embasamento pedagógico, frisa:
— Meu objetivo é levar à reflexão sobre o ridículo, o grotesco de cada um. O palhaço, com sua personagem dilatada, é o espelho de nós mesmos. A ideia é que cada aluno saia das oficinas um ser humano melhor e mais leve. Sou uma professora palhaça, com muito orgulho.
Entusiasta dos ofícios que abraçou, Tainá, que está em cartaz com o espetáculo “Pimentinha pelo mundo — As andanças de uma palhaça bailarina” no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, é a favor de somar quando o assunto é conhecimento:
— Arte e educação andam juntas. Além da Coart Uerj, ministro oficinas de palhaçaria em escolas públicas e particulares, então estou sempre em contato com alunos de todas as faixas etárias e classes sociais.
Essa visão da professora palhaça está alinhada com o Coart Uerj, um lugar de portas abertas para além dos alunos da universidade. André Ferraz, que é orientador de artes cênicas no Centro Cultural da Uerj, afirma que a intenção principal é que a comunidade ocupe a universidade.
— Atendemos também os alunos da Uerj, professores, funcionários de um modo geral, mas buscamos chegar à comunidade externa, que é sempre superbem-vinda. Nos nosos cursos de extensão tentamos atender todos, e temos preços bem acessíveis.
Em média, o custo dos cursos regulares é de R$ 200. Em fevereiro, abriremos novas turmas, mas é importante ficar atento à página do Coart Uerj no Facebook, que é onde postamos as novidades e as datas de inscrição diz.
As oficinas do Coart são variadas e abraçam todos os públicos.
— Temos cursos em seis áreas: corpo e dança, teatro, música, artes visuais, cinema e literatura. O nosso guarda-chuva é amplo. Nas oficinas de verão, por exemplo, temos aulas de jardinagem, tai chi chuan... A partir de 16 anos, todo mundo é bem-vindo! Aliás, temos uma parceria com a Unati (Universidade Aberta da Terceira Idade) e oferecemos cursos para esse público — conta Ferraz.
Fonte: O Globo
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