
31/03/2020
Um estudo mostra que é possível ampliar a área de soja no Cerrado do Brasil por mais de 10 anos sem a necessidade de desmatamento, com a conversão de pastagens subutilizadas em áreas agrícolas.
O bioma é um dos mais utilizados pela agropecuária e está em cerca de 23% do território do país, passando por 11 estados mais o Distrito Federal.
Entre agosto de 2018 e julho de 2019, foram desmatados mais de 6,4 mil m² (ou 648,4 mil hectares) dentro do bioma. O número representa queda de 2,26% em relação ao período anterior, mas especialistas alertam: a área ainda está em risco, já que resta pouca mata original preservada.
E a solução para o desmatamento está dentro do próprio Cerrado, como mostra o levantamento feito pela organização ambiental The Nature Conservancy (TNC) Brasil. O estudo levou em conta a principal produção agrícola do bioma: a soja.
A partir da análise do uso da terra para a expansão do grão neste bioma, executada em parceria com a consultoria Agroicone, o estudo mostra que há mais de 185 mil km² (18,5 milhões de hectares) de pastagens no Cerrado adequadas à produção de soja.
Este número que corresponde a mais do que o dobro dos 73 mil km² (7,3 milhões de hectares) que serão necessários, nas condições atuais de mercado, para garantir a expansão por pelo menos 10 anos.
"São 3 pontos: é possível e necessário conservar e produzir, dá para aumentar a produtividade e os mecanismos financeiros (créditos e financiamentos) são importantes para a ajudar a expandir a produção que não desmata", explica José Otávio Passos, especialista em negócios e investimentos da TNC Brasil.
O estudo diz ainda que a expansão da soja em terras de pasto já existentes tem custo menor de implantação e maior produtividade do que desmatar uma área com vegetação nativa. O levantamento diz que é 3 vezes mais rápido atingir rendimentos máximos de colheitas em terras de pastagens já convertidas.
"O produtor precisa considerar que a rentabilidade de uma área leva em conta 3 itens: custo da terra, custo de conversão da terra e a produtividade. Em um primeiro momento, pode parecer vantajoso desmatar, mas as consequências mostram que não", afirma Passos.
"Estudos mostram que a produtividade pode cair 10% ao redor de áreas desmatadas. Isso causa o que chamamos de ´mudança das condições climáticas em nível não-local´ em um raio de 50 km ao redor da área desmatada", completa.
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