
05/05/2020
Mesmo com a pandemia de Covid-19 em curso no Brasil, o Pantanal tem o início de ano com maior número de queimadas já registrado no bioma, como mostram os dados do Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Os meses de março e abril são os que mais chamam a atenção, ambos com os maiores valores já registrados para esses meses. Respectivamente, foram 602 e 784 focos de calor no bioma.
O ano de 2019 já tinha sido de recorde de queimadas no bioma, com o maior número de focos nos últimos 15 anos. Em relação aos primeiros três meses de 2019, houve um aumento nas queimadas de 169%.
Além do número de focos, a área queimada no bioma também é a maior já registrada pelo Inpe em um início de ano. Entre janeiro e março (os dados de área destruída de abril ainda não estão disponíveis), foram queimados 1.628 km² do Pantanal. A segunda colocação é ocupada por 2019, com 1.172 km².
Os dados de queimadas do Inpe têm início em 1998.
Segundo Cássio Bernardino, analista de conservação do WWF-Brasil, o cenário é preocupante, principalmente por ainda não estarmos na estação do fogo, que normalmente começa a partir do meio do ano no bioma.
A WWF-Brasil aponta que os municípios mais afetados pelos incêndios são Corumbá, Poconé e Porto Murtinho.
Bernardino afirma que o início deste ano é atípico, com tempo mais seco e poucas chuvas. Mas isso, sozinho, não explica o elevado número de incêndios na área. “O fogo é parte do manejo da pastagem, é parte do dia a dia do pantaneiro. Só que às vezes os incêndios saem do controle. Mas existem modos para substituir o uso do fogo, que não é a técnica ideal.”
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