
06/08/2020
“Você levar a borracha até as pessoas, é levar um pedacinho da Amazônia viva. É uma forma de contar a história, das pessoas saberem que tem gente que mora na floresta e protege ela”. Assim a designer brasiliense Flavia Amadeu define seu trabalho com a borracha amazônica.
Conhecida internacionalmente pelo seu trabalho com novas tecnologias em borrachas amazônicas há 15 anos, ela é PhD em design e sustentabilidade pelo London College of Fashion, mestre em artes visuais e bacharel em desenho industrial.
E é do Acre que sai parte da matéria-prima das peças da linha de joias orgânicas que ela faz. Em parceria com o Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília (UNB), ela desenvolveu técnicas que transformam o látex em peças vendidas em diversos países.
Além de comprar o material, é a própria Flavia que percorre as comunidades capacitando os produtores para trabalharem com essa nova tecnologia. É um material que foi aperfeiçoado ao longo dos anos e está em constante aprimoramento.
Flavia explica que o trabalho, além de comercial, defende a bandeira da sustentabilidade e conservação dos conhecimentos tradicionais das comunidades que protegem e vivem da renda gerada pela Amazônia.
“Um dos diferenciais dessas novas tecnologias de borracha da Amazônia é justamente não precisar da indústria de processamento, então essa borracha colorida já sai da comunidade pronta pro mercado, dou treinamento para ela estar do jeito que preciso. Eu trabalho várias coisas, volto nas mesmas comunidades para fazer melhorias, as cores também são desenvolvidas por mim. É um trabalho de construção mesmo com eles [produtores], é bem legal que dá para ver as famílias se desenvolvendo”, explica.
Assim que começou a estudar como a borracha poderia ser incluída na moda, seja por acessórios ou tecidos, Flavia conta que se reconectou com as ligações que teve com a Amazônia.
“A Amazônia aparece na minha vida antes da borracha. A minha graduação no desenho industrial foi uma coleção de moda inspirada nas pinturas indígenas dos índios kayapós e estudei várias etnias. Também fiz outros projetos relacionados com a Amazônia quando trabalhei como designer e quando tinha 15 anos fui pra floresta fazer uma imersão no curso de ecologia”, relembra.
Ao se deparar com o látex, ela lembrou de todas essas influências que sempre estiveram presentes na sua vida. Tanto que as peças são inspiradas em pinturas indígenas e são pensadas de uma forma que represente a Amazônia em um acessório.
“Percebi que tinha que ter um acabamento impecável, a peça é uma matéria-prima, no início ainda é bruta e não é fácil. Os seringueiros e os produtores sabem da qualidade que exijo, que precisa ter, para se tornar uma joia, quando criei demorei um tempo para colocar no mercado, porque queria um acabamento perfeito!” diz.
A designer diz ainda que não quis tirar as características da borracha, apenas lapidar de uma forma que ficasse uma peça realmente delicada e carregada de identidade.
“Pensei muito em como fazer esse material [borracha] falar por si só, tirando os excessos, tirando tudo que não precisava, porque se você coloca muita coisa, acaba virando outra coisa, a borracha não aparece. Ela é uma matéria-prima, mas se torna joia pelo design e é esse mesmo design que vai contar essa história da floresta”, pontua.
Para saber mais sobre este empreendimento, leia a reportagem no G1
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