UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Estado de São Paulo conseguiu recuperar uma parte de sua vegetação nativa

13/08/2020

O estado de São Paulo conseguiu recuperar uma parte da vegetação nativa.
O antes e o depois da Serra do Mar, em Cubatão, são um diploma de que o homem pode, sim, corrigir os erros cometidos na natureza.
O repórter Nélson Araújo acompanhou o começo dessa mudança para o Jornal nacional em 1989. Era um projeto pioneiro de semeadura aérea, se valendo de uma técnica engenhosa para replantar a Mata Atlântica perdida. Em laboratório, sementes de espécie nativas foram embaladas em cápsulas de gel.
“Depois de três anos de pesquisa, hoje pôde ser realizado o primeiro lançamento aéreo das bolinhas de sementes”, dizia o repórter em 1989.
"Eu me sinto bem orgulhosa. Cubatão era conhecida, na época, como a cidade mais poluída do mundo”, explica Renata Mendonça, bióloga.
Renata Mendonça e o geógrafo Roney Santos eram da equipe que coletou sementes para o reflorestamento. “Aqui a gente fez um processo de pesquisa aplicada. Começamos praticamente do zero e chegamos a resultados que hoje vemos aqui, 30 anos depois”, conta Roney.
Cem quilômetros quadrados foram recompostos em Cubatão. E a experiência, um marco do movimento ambiental, estimulou outras iniciativas nas décadas seguintes. O Inventário Florestal, que começou a ser feito naquela época, veio mudando de fisionomia.
Um mapa de 2000 traz o estado praticamente pelado. Um recente mostra que, nos últimos dez anos, o verde nativo aumentou de 4.340.000 para 5.670.000 hectares. A cobertura florestal, que era de 17,9%, foi para 22,9%. Um aumento de cinco pontos percentuais, revela o coordenador do inventário, o físico Marco Aurélio Nalon.
“Esse aumento pode parecer pequeno a princípio, mas ele é muito significativo, dado a dinâmica econômica e social do estado de São Paulo, que é muito intensa. O mais importante é que ele tem se dado nas regiões do estado onde a gente tem, historicamente, as maiores perdas de cobertura vegetal nativa”, explica Nalon.
É difícil não misturar as notícias de hoje com a pandemia, inundados na expectativa de quando tudo isso vai passar. Pois, naquela época, 30 anos atrás, também parecia impossível, como dizemos agora, ´achatar a curva do desmatamento´, reverter a tragédia ambiental paulista.
“Esse replantio é muito significativo. É uma iniciativa importante”, destacava João Paulo Capobianco em 1989. O biólogo João Paulo Capobianco foi entrevistado naquele momento pioneiro da força tarefa de reflorestamento. Agora, avalia que a curva verde em São Paulo tem sustentação com o suporte dado, tanto pelos governos como pelas organizações não governamentais.
"O que ocorreu ali foi uma reversão total de uma situação dramática para uma situação muito positiva. Isso é uma demonstração de que a ação da sociedade de forma organizada gera resultado", avalia João Paulo Capobianco, vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade.
Além de política pública e participação de ONGs, outro fator contribuinte para essa recuperação foi uma atitude que é possível ilustrar do quintal do sítio onde o repórter Nélson Araújo está passando a quarentena. Os proprietários deixaram de roçar as grotas, os vales por onde correm as águas das nascentes. O que era pasto degradado, de pouca vocação agrícola, ficou vivo de novo.
O produtor rural Roberto Morais herdou a terra, mas não o costume do pai e do avô. “Mato tinha que cortar. Ou fazia carvão ou cortava, e deixava perder os matos. Agora, a partir do ano 2000, a gente já veio totalmente ao contrário: ‘vamos plantar mato’. Tanto que os vizinhos da gente comentaram: ‘Nossa, mas você está plantando mato? Qual a ideia disso? Para que isso?’”, conta.
Era para ouvir o canto das aves, o verde formando o capão, folha seca recriando a terra, água pura brotando do chão. “Quando você fala em formar floresta aqui na área rural, aqui na roça, você está contribuindo com pessoas que estão lá na cidade, seja com a água, seja com o ar”, destaca Roberto Morais.
O sítio Chão D’Água fica em Salesópolis, nascente do Rio Tietê. Roberto plantou frutíferas nas áreas de reserva legal e de proteção permanente. Além de capim para o gado, tem também pasto para as abelhas.
“Não há agronegócio sem meio ambiente preservado. Não há polinização. Não há água em abundância e em quantidade necessária à produção. Não há biodiversidade associada. Não há conservação de solo. A proteção ambiental é parte da produção agropecuária”, afirma João Paulo Capobianco.
“Isso mostra que é possível, com pequenas ações, a gente contribuir e melhorar a qualidade de vida”, diz Roberto Morais.
Assim como o Chão D’Água, milhares de propriedades paulistas, grandes e pequenas, viraram a chave do modo depredação para o modo conservação, mostrando como é compatível a produção de alimentos com o respeito à natureza.

Fonte: JN

Novidades

Onças, gatos-do-mato e até filhotes roubam a cena em monitoramento no Parque Nacional de Itatiaia; vídeo

28/07/2026

O Parque Nacional do Itatiaia virou cenário de uma série de flagrantes da vida selvagem. Entre fever...

Fazendeiro é condenado a recuperar área desmatada e pagar R$ 11,9 mil por danos ambientais em MG

28/07/2026

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação de um fazendeiro de Nepomuceno (MG...

Protect Paradise já reciclou 7,5 toneladas de plástico em Noronha

28/07/2026

O Projeto Protect Paradise, iniciativa da Green Mining que atua na redução do impacto ambiental do p...

Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia tiveram desmatamento zero

28/07/2026

Neste mês, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou a maior queda nos alertas de ...

Número de espécies exóticas de moluscos no Brasil aumenta 215% em 15 anos

28/07/2026

O número de espécies exóticas (não nativas) de moluscos encontradas no Brasil aumentou de 26 para 82...